O garoto que foi sequestrado em Ilhota e permaneceu por cerca de 112 horas em cativeiro em Penha, foi recebido em casa com festa e foguetório nesta terça-feira. As imagens disponibilizadas pela Polícia Civil mostram a rua em que a família mora no Centro da cidade lotada de gente esperando pelo menino e o encontro emocionante com os pais.
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>> Assista ao encontro do menino de nove anos com os pais em Ilhota:
Cerca de duas horas depois do encontro, a mãe do menino, Laurinha Bailer de Oliveira, 39 anos, contava como foram os dias em que o único filho permaneceu refém:
– Tinha horas que me desesperava, vinha aqui para trás (na área de festas da casa), andava para lá e para cá. Me desesperava de novo, gritava. Então me apegava em Deus e pensava: ‘Não pode ter gente tão maldosa nesse mundo para fazer alguma coisa com ele, um menino tão especial’.
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Quando restaram apenas familiares na casa, Laurinha perguntava a data. Queria saber qual foi o dia em que o menino nasceu mais uma vez. Segundo o pai, Jean Carlos de Oliveira, 34, o menino foi devolvido sem nenhum ferimento e contando da vontade de ser policial quando crescer.
Sequestro terminou na manhã desta terça-feira
Terminou nesta terça-feira, no final da manhã, o sequestro de um menino de nove anos que mobilizou a Divisão Antissequestro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic). O garoto era filho de um empresário de Ilhota, brincava com um patinete motorizado a 250 metros de casa, em Ilhota, quando foi visto pela última vez quinta-feira passada. Ele foi mantido em cativeiro por cinco dias (sequestro iniciou às 19h30min de quinta-feira).
O desfecho ocorreu em Penha, no Litoral Centro-Norte. Segundo o delegado diretor da Deic, Akira Sato, dois bandidos morreram no confronto com a polícia e um terceiro foi preso. O sequestro ocorreu na noite de quinta-feira, quando um comerciante teria visto o menino sendo levado à força por um casal que estava em Ford Ka vermelho. Na mesma noite a família recebeu a primeira ligação de sequestradores que pediam um resgate de R$ 500 mil em dinheiro.
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Confira a linha do tempo do sequestro do menino em Ilhota
A família acionou a polícia local que chamou reforço de da Divisão Antissequestro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), de Florianópolis, pelo menos dois delegados se deslocaram até Ilhota para ajudar nas investigações. Este foi o primeiro caso de sequestro desde a morte do delegado aposentado Renato José Hendges, conhecido como Renatão, da Divisão Antissequestro da Deic, no dia 16 de abril. Ele era conhecido pela trajetória e casos bem-sucedidos de sequestros em Santa Catarina. Inicialmente a polícia partiu do princípio de que se tratavam de sequestradores com pouca experiência, com base no valor pedido, considerado baixo.
Esta hipótese preocupou ainda mais o delegado-geral Aldo Pinheiro D’Ávila, pois o fato de serem bandidos amadores trazia maior risco à vida do menino. Com o passar do tempo, porém, a demora em se dar fim ao caso e manter o menino em cativeiro, fez com que a polícia mudasse o foco e acreditasse tratar-se se criminosos experientes. Como a prioridade era garantir a integridade física do pequeno, a polícia optou por esperar que a família pagasse o resgate ao invés de estourar o cativeiro.
Menino é a alegria dos pais
O garoto levado por sequestradores tem perfil no Facebook. As fotos que publica não deixam dúvida: é a alegria da família. O sentimento fica evidente em postagens de cenas ao lado dos pais em casa, na praia, no restaurante e também na piscina de um edifício em Balneário Camboriú.
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Nascido em Blumenau, ele também publicou foto com modelos famosas, entre elas a panicat Carol Dias – ela já desfilou com peças da grife de biquínis de propriedade dos pais do menino e que costuma promover desfiles com as integrantes do programa humorístico de rede nacional.
A família é tradicional, bastante conhecida e mora no Centro de Ilhota, atrás da loja. Jean também tem envolvimento com a política. O avô do menino, empresário Érico de Oliveira, o Dida, proprietário de outra empresa, foi vice-prefeito entre 2001 e 2004 e duas vezes candidato a prefeito. Ambos participam ativamente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) local.
O Grupo RBS sabia do sequestro, mas não divulgou a ocorrência para não prejudicar na negociação com os sequestradores e preservar a vítima.
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