Exames laboratoriais realizados pelo Laboratório Laqua-Itajaí/IFSC detectaram a presença da toxina diarreica (DSP) em cultivos da localidade de Ganchos de Fora, em Governador Celso Ramos. Os resultados foram divulgados nesta sexta-feira pela Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca.
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Existe a comprovação da presença da toxina diarreica também em cultivos da localidade de Paulas, em São Francisco do Sul, e no município de Porto Belo. Já em Palhoça, na Ponta do Papagaio, há elevada quantidade das algas produtoras da toxina na área de cultivo.
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Novas coletas estão sendo realizadas para o monitoramento das áreas de produção e se os resultados mostrarem que não há contaminação, a localidade é imediatamente liberada. Para os casos em que existe a comprovação da presença da toxina, o procedimento para desinterdição requer dois exames laboratoriais com resultado negativo.
A expectativa é de que as toxinas produzidas pelas algas desapareçam em poucos dias, não gerando prejuízos para os maricultores, porque a produção permanecerá na área de cultivo e os moluscos são capazes de eliminar as toxinas.
Nesta quinta-feira, a Secretaria informou a interdição preventiva das áreas de cultivo de ostras e mexilhões em Santa Catarina, proibindo a retirada, comercialização e consumo desses animais e seus produtos devido à presença de toxinas que podem causar intoxicação alimentar.
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A interdição preventiva de todo o litoral catarinense foi uma medida para preservar a saúde pública, já que existe a possibilidade de a contaminação dos moluscos bivalves estar ocorrendo de forma generalizada.
Segundo o secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Airton Spies, a interdição é uma forma de garantir a segurança dos consumidores e de preservar a imagem da maricultura catarinense.
– Com a constatação da presença da toxina diarreica em São Francisco do Sul, Porto Belo e também na água de cultivo em Palhoça, achamos prudente evitar o consumo das ostras e mexilhões produzidos no estado até que os exames laboratoriais sejam realizados em todo o litoral e a contaminação seja descartada – explica.
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O secretário Spies lembra que os produtos com Serviço de Inspeção Federal (SIF), que tiverem a data de retirada do cultivo anterior a 21 de agosto, estão aptos para o consumo.
A toxina diarréica é produzida por algumas espécies de microalgas que vivem na água, chamadas de Dinophysis, e quando acumuladas por organismos filtradores, como ostras e mexilhões, podem causar um quadro de intoxicação nos consumidores.
A presença de Dinophysis é conhecida em Santa Catarina e por isso os níveis da toxina são regularmente monitorados pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). Os últimos episódios de excesso de DSP no estado aconteceram em 2007 e 2008.
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Uma das explicações para o fenômeno são as condições ambientais favoráveis para a proliferação dessas algas: maior incidência solar, pouca agitação marinha e baixa salinidade da água do mar.
Os sintomas causados pela DSP são náuseas, vômitos, diarreia e dores abdominais e se manifestam em poucas horas após a ingestão de moluscos contaminados. A recuperação do paciente se dá entre dois e três dias.