A morte do promotor federal Alberto Nisman deixou os argentinos perplexos e remoendo uma dúvida que já perdura há seis dias: foi suicídio? Ou a autoridade foi assassinada justamente quando iria denunciar a presidente Cristina Kirchner por uma suposta participação na tentativa de encobrir as investigações sobre o atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), ocorrido em 1994?
Continua depois da publicidade
Os seis mistérios que cercam a morte do procurador argentino
Na segunda-feira, quando Nisman foi encontrado com um tiro na cabeça no apartamento onde morava, no bairro Puerto Madero, os argentinos saíram às ruas de Buenos Aires. Alguns portavam cartazes de “Yo soy Nisman“, numa alusão às multidões de franceses que estamparam o “Je suis Charlie” em protesto contra o assassínio de 12 jornalistas da revista Charlie Hebdo.
“Estou convencida de que não foi suicídio”, diz Cristina Kirchner
Mas as manifestações não foram adiante. Por enquanto, nenhum ato está marcado para este final de semana. A sensação é de que a população prefere aguardar o desenrolar da apuração sobre a morte de Nisman, que tinha 51 anos e deixou duas filhas. Não se vê faixas de protestos pelas ruas. Uma das raras foi afixada diante do prédio onde o promotor vivia. Pequena, amarrada ao gradil por cadarços de tênis, pede justiça.
Continua depois da publicidade
Perícia não encontra rastros de pólvora nas mãos de Nisman
Na Praça de Maio, diante da Casa Rosada (sede do governo), onde costuma ressoar a insatisfação popular, a manifestação do momento é promovida pelos veteranos da Guerra das Malvinas, travada em 1982 contra a Inglaterra. Sentindo-se abandonados, eles montaram um acampamento e até improvisaram um cemitério com cruzes. Sobre Nisman, nada à vista.