O empresário e presidente do Criciúma, Antenor Angeloni, me atendeu na tarde desta terça-feira, antes da reunião do conselho deliberativo do clube, que oficializou sua saída do comando do Tigre até o final desta temporada. Aos 81 anos de idade, a primeira coisa que ouvi na conversa foi:

Continua depois da publicidade

– Cansei. Fiz o que foi possível.

Em reunião do conselho, Antenor Angeloni confirma saída do Tigre

Criciúma renova contrato com o volante Barreto até 2018

Continua depois da publicidade

Senti nas palavras do velho amigo um misto de decepção, com ainda alguma esperança de futuro.

Em momento algum ele perde a linha. Mais: não ouço do presidente do Criciúma uma crítica a quem quer que seja. Nosso papo foi curto, porém, objetivo, na medida em que Antenor Angeloni tem seus minutos contados e todos dedicados à empresa e ao clube.

Antenor e o Tigre

Iniciada em 2010, esta é a quarta vez que Antenor Angeloni comanda o Criciúma. A primeira foi em 1963. Depois, ainda presidiu o clube carvoeiro entre 1978 e 1980, além de uma breve passagem no ano de 1984.

Confira a tabela da Série B do Brasileirão

Leia mais notícias do Criciúma

DC – Presidente, o senhor jogou a toalha?

Antenor – Cansei, Roberto. Aos 81 anos de idade vejo muita incompreensão no futebol.

DC – Como assim?

Antenor – Ninguém é capaz de reconhecer o trabalho administrativo. Quando assumi a presidência, minha primeira ação foi recuperar o estádio (Heriberto Hülse). Estava com uma parte destruída. Hoje ninguém lembra que temos lá um patrimônio de valor e dos mais bonitos.

Continua depois da publicidade

DC – Mas isso não ganha jogo, hein, presidente?

Antenor – Exatamente por isso. O futebol chegou a um determinado momento de paixão que está inclusive perigoso. Tudo que se faz é esquecido em minutos se no campo não houver resultados contundentes. E não temos tido sucesso nos últimos dois anos.

DC – Incompreensão de quem? Da imprensa?

Antenor – Não é isso. As críticas acho normais. Não adianta reclamar. Quando você se mete neste jogo de paixão que é o futebol, tem que admitir tudo, especialmente as críticas. Acho normal, não vejo problema nisso.

DC – Então, o que é?

Antenor – É que estou levando muito malho e não tenho mais idade para isso. Fiz o melhor que foi possível. O futebol está inviável do ponto de vista financeiro. Quem paga a conta? Vou entregar o Criciúma sem dívida, esta vai ficar para mim.

Continua depois da publicidade

DC – E a torcida?

Antenor – O torcedor faz a sua parte, apoiou. Não posso reclamar. Mas as vitórias não vêm e o pau ronca.

DC – E o futebol?

Antenor – Eu procurei contratar os melhores profissionais. Não deu certo. Fazer o quê?

DC – E o (diretor comercial do Criciúma) Claudio Gomes?

Antenor – Não entendo, rapaz. O Claudio é homem da minha confiança. Tudo que preciso ele faz e com competência e correção. Não adianta. Ele resolve meus problemas, mas não está lá no futebol.

DC – Não tem volta, não?

Antenor – Estamos conversando muito a respeito do futuro do Criciúma. Minha cota de trabalho expirou.

Continua depois da publicidade

DC – E agora? Quem vai pegar a bomba de assumir?

Antenor – Olha, tem gente sim. Estamos preparando alguém que goste do futebol e já sabemos quem é. Não posso te adiantar o nome, mas em dois dias no máximo podemos divulgar.

Reflexões

Antenor Angeloni se despede sem criticar ninguém, sem citar um nome sequer para o bem ou para o mal dentro do futebol, aceitando críticas de todos os lados, mas sentindo-se cansado. Tentei saber se havia alguma mágoa e ele não deixou transparecer, embora pudesse ter, sim.

São cinco anos nesta passagem pelo Criciúma e, neles, a queda para a Série B, tentativas de subir e um momento muito delicado.

Continua depois da publicidade

Pessoalmente, acho que o futebol vai perder muito com a sua saída. Credibilidade, respeito e seriedade: o futebol está perdendo tudo isso e um pouco mais com sua saída.