Zagallo foi o primeiro técnico dos meus sonhos. Aquele Botafogo bicampeão carioca e campeão brasileiro, em 1967-1968, era liderado por ele. Eu era moleque, e o já bicampeão mundial (como jogador) dirigia um time de “cobras” com o manto sagrado alvinegro: Gérson, Jairzinho, Rogério, Roberto Miranda, Paulo César Caju. (“Cobra”, naquela época, era sinônimo de craque.)

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Depois ele foi para a seleção brasileira, em cima da hora, tentar o tri no México, em 1970. Levou um monte de camisa 10. Revolucionário, pôs todos em campo. Pelé, Rivellino, Gérson, Jairzinho, Tostão. Zagallo montou o melhor time da história do futebol. Ganhamos. Lembro até hoje das festas nas ruas dos subúrbios do Rio.

O tempo passou. Zagallo seguiu sua carreira invejável no mundo da bola. Me tornei jornalista e, em 1991, assumi a chefia da editoria de Esportes do jornal “O Globo”. Em 1993 encasquetei com a implicância de Zagallo com Romário. O Brasil corria o risco de não ir à Copa dos Estados Unidos e o melhor jogador do mundo não era sequer convocado, devido a uma birra de Zagallo, então assistente do técnico Carlos Alberto Parreira.

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Irritado, numa coluna do jornal, fiz uma piada estúpida: o chamei de Zagagallo. Não há um dia de minha vida que não me arrependa e não me envergonhe dessa infâmia.

(O Baixinho Marrento foi somente convocado para o último e decisivo jogo das Eliminatórias, contra o Uruguai no Maracanã, fez os dois gols da vitória, o resto é história. Zagallo conquistaria em 1994 seu quarto título mundial.)

Falar do Zagallo vitorioso, dentro e fora de campo, é chover no molhado. Ele era uma figura muitas vezes irritadiça – o mítico “Vocês vão ter que me engolir” era uma dura resposta a jornalistas de São Paulo que defendiam sua saída da seleção.

Ele era, também, divertido e provocador. Lembro de um dia na cobertura jornalística da seleção na França, em 1998. Uma equipe da televisão equatoriana perseguia o nosso então técnico. O repórter insistia, implorava por uma fala histórica:

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-Senhor Zagallo, senhor Zagallo, um saludo para Equador! Senhor Zagallo, senhor Zagallo, por favor, um saludo para Equador!

Zagallo então parou. Olhou fixamente para a câmara, fez pose de filósofo, pensou por alguns segundos. E proferiu, como um estadista:

-Saludo, Equador!
Virou as costas, foi se embora, se divertindo com as gargalhadas de todos os jornalistas – inclusive os equatorianos.

O futebol brasileiro terá uma dívida eterna com Zagallo. Uma gratidão sem preço. Velho Lobo, Mestre dos Mestres, minhas desculpas, meu respeito e meu eterno agradecimento.

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