Criado desde um ano de idade em Florianópolis, o velejador Bruno Fontes, de 44 anos, foi convocado para as Olimpíadas de Paris, sendo a sua terceira participação em Jogos Olímpicos da sua carreira. Para atingir esse alto nível, ele destaca a importância da família ao longo da sua carreira.
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Olimpíadas 2024: datas, esportes e horários dos jogos em Paris
Em 2020 foi chamado para ser técnico da equipe olímpica de vela da China, mas com a pandemia da Covid-19 as fronteiras foram fechadas e na vespera da ida para o país, seu embarque foi proibido.
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— Com as minhas habilidades, com meu cuidado e com a minha história, tenho a oportunidade de encerrar a minha carreira com uma medalha inédita, já que tenho todos os títulos. Feliz é aquele que pode lutar até a última chance pelos seus sonhos e eu estou muito contente e grato por isso — disse Bruno.
Na estante de troféus do atleta alguns de peso: medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2019, quatro títulos sul-americanos e sete títulos brasileiros.
A chance de lutar pela única medalha que falta na carreira, como velejador mais experiente da equipe olímpica do Brasil, pela categoria ILCA 7, é a coroação de anos de história ligada intimamente com o esporte. E muito desse novo capítulo foi escrito com a ajuda de sua mãe, Ana Maria Fontes, de 76 anos.
Da aposentadoria à busca do sonho olímpico pela terceira vez
Em 2019, após ganhar a prata no Pan em Lima, Bruno anunciou a sua aposentadoria nas regatas como atleta para se tornar treinador na China — o que posteriormente deu errado. Em 2022 retornou ao mar para conquistar um vice-campeonato sul-americano em Montevidéu, no Uruguai.
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Na busca por se manter em forma, a preparação física do atleta aconteceu em um local especial, na academia montada no quintal da mãe, na rua onde cresceu em Florianópolis.
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A residência comprada pelos pais, ao lado da casa onde moraram durante sua infância, era o ponto de retorno dos campeonatos de Bruno. Em junho do ano passado a meta foi traçada, disputar mais uma Olímpiada.
De lá para cá, um mundial na Austrália (que garantiu a vaga para ele nas Olímpiadas) e duas Copa do Mundo na Europa foram parte dos preparativos visando Paris.
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No centro de treinamentos improvisado, o velejador treinou, mas não sozinho. Quando podia, chamava jovens do clube que é integrante para participar das sessões de cross-fit que montava.
Até a filha Clara ingressou nas aulas do papai olímpico. E entre os intervalos, o carinho de dona Ana também era combustível para continuar com foco total.
Nas redes sociais de Bruno, a mãe é personagem de vídeos que demonstram a proximidade, amor e apoio entre os dois, sem que o lado mamãe coruja passe despercebido.
— Não gosto nem de ver ele com esses pesos todos, pode dar algo nas costas ou sei lá. Eu pergunto se ele quer suquinho, se quer uma comidinha, mas ele tá sempre com esses preparados (suplementos) dele aí. Ele é nosso xodó e eu tô sempre de olho.
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Início do relacionamento com o mar
Quando tinha um ano de idade, Bruno e a família se mudaram de Curitiba para Florianópolis, após proposta de emprego para o pai engenheiro, Fernando Ferreira.
Apesar dos esportes náuticos serem populares na Ilha de Santa Catarina, o primeiro contato com a vela veio apenas aos sete anos. Na época, os pais eram associados do Lagoa Iate Clube, na Lagoa da Conceição.
Os finais de semana eram marcados por churrascos à beira do mar com familiares e amigos. Foi quando um primo, recém-matriculado nas aulas de iatismo lhe apresentou a modalidade.
Com receio pela segurança do caçula — Bruno e mais duas irmãs — Fernando e Ana também o inscreveram no curso para velejadores e abraçaram o hobbie, que pouco a pouco se transformou em uma de suas maiores paixões.
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— Eu via ele lá pequenininho, com aquele colete, ficava só rezando. O tio dele ainda falava “não se preocupa não, se o barco virar ele fica de cabeça pra baixo, não afunda, aí ele pode subir em cima” como se isso fosse me acalmar. Aí que eu ficava preocupada — relembra a mãe.
O pai era seu maior apoiador, sempre presente nas competições disputadas durante a juventude. Investindo no sonho do atleta e acompanhando de perto a trajetória. Entre conciliar os treinos e a única imposição feita pela mãe, se graduar em uma universidade, momentos de dificuldade acometeram a família.
Em 2000, uma tragédia. Fernando sofreu um acidente de carro que o deixou em cadeira de rodas. Mesmo com a impossibilidade de andar e a dificuldade de estar à beira do mar ou a bordo de um barco quando Bruno competia, o pai continuou seu fã número um.
E assim o foi por quase duas décadas depois, até falecer em fevereiro de 2019 em decorrência de complicações médicas após um procedimento cirúrgico. A perda do melhor amigo e principal apoiador foi um dos estopins para que poucos meses depois, no pódio de Lima, anunciasse o fim da carreira aos 39 anos.
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Mas a força de dona Ana e a vontade de honrar a memória do pai com uma conquista olímpica falaram mais alto, fazendo com que a mudança de planos na hora de assumir a equipe da China o botassem de novo no mar.
— Ela foi muito importante. Eu puxei muita coisa da minha mãe e acho que essa garra e força de vontade foi uma delas. Dona Ana é uma guerreira, sempre nos momentos ruins financeiros ou na perda do meu pai, foi ela quem manteve tudo em ordem.
Momento com a família, antes de voar para Paris
Como regra pessoal, Bruno não leva sua família para competições em países distantes, a decisão é para não trazer preocupações fora do mar e manter o foco total. Nesse ano não será diferente. Pela tela do computador e transmissões, dona Ana e o resto dos Fontes irão acompanhar as regatas na costa de Marselha.
Mas um detalhe especial, com menos de 80 dias para o começo das disputas na modalidade — entre 28 de julho e 8 de agosto — o dia das mães reunirá a família no almoço de domingo, para comemorar juntos e vibrar energias positivas antes do grande momento. Algo que há tempos a carreira de atleta não permitia.
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— Ele chegou a passar quatro natais seguidos longe da família. Lembro de um em que todos estavam juntos, participando de um amigo secreto e ele estava pelo computador. Mesmo tristes a gente comemorou e enviou muito amor pra ele.
Mar calmo em Florianópolis, presságio de bons momentos na França. Água salgada, vento e amor maternal, foram os ingredientes que curaram Bruno para a disputa da sua terceira edição olímpica. Como diz o ditado: a terceira vez é a da sorte.
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