Um estudo divulgado na revista “Brazilian Journal of Aquatic Science and Technology”, dedicada às ciências ambientais, revelou o impacto do aquecimento do oceano e das chuvas intensas na costa de Santa Catarina. A pesquisa destaca que as alterações climáticas têm afetado as cidades, portos, pesca, maricultura, conservação da biodiversidade, turismo e saúde pública nas regiões costeiras do Estado. As informações são do g1.
Continua depois da publicidade
Receba notícias de Santa Catarina pelo WhatsApp
O estudo
De acordo com o artigo publicado pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO₂), vapor de água, metano e óxido nitroso, absorvem a radiação infravermelha emitida pela superfície terrestre (aquecida pela radiação solar) e transformam essa radiação em calor, resultando no aquecimento da atmosfera.
Este fenômeno tem ocorrido desde a Revolução Industrial no século XIX. Desde então, houve um aumento de 40% na concentração de CO₂ na atmosfera. Os oceanos absorvem parte desse calor, levando a mudanças climáticas, como o aumento na frequência de tempestades, a redução do oxigênio na água e o derretimento das calotas polares. A absorção de CO₂ pelos oceanos também resulta em um aumento na acidez da água.
Veja abaixo o impacto dessas mudanças em cada setor das regiões costeiras do Estado.
Continua depois da publicidade
Impacto nas cidades
A área central do litoral de Santa Catarina, particularmente a Ilha de Santa Catarina, que possui uma densa ocupação urbana, é a mais vulnerável aos impactos das mudanças climáticas. Esta região enfrenta um risco elevado de desastres naturais, especialmente devido à precipitação excessiva.
O centro-norte do litoral, possui densa urbanização e seus numerosos rios fazem com que a região seja naturalmente propensa a inundações. Esta área tem um histórico de enchentes, como as que ocorreram no estuário do rio Itajaí-Açu.
Por outro lado, o litoral sul apresenta menores riscos de desastres naturais relacionados à chuva, graças à sua baixa densidade urbana e à presença predominante de restingas, dunas e lagoas costeiras.
Portos
Os portos sofrem impactos diretos de eventos extremos. Isso pode ocorrer de duas maneiras. Primeiro, o aumento do nível do mar pode levar a um aumento na frequência de marés altas e ressacas. Segundo, eventos de chuvas intensas no continente podem aumentar a probabilidade de enchentes, acúmulo de água e assoreamento dos canais de navegação. Como consequência, as estruturas portuárias e a movimentação de cargas são diretamente afetadas.
Continua depois da publicidade
Pesca
Nos manguezais, a elevação do nível do mar e o aumento na frequência de eventos extremos podem causar erosão e danificar os habitats de várias espécies, incluindo o caranguejo-uçá, o baiacu e os moluscos sururu e bacucu. Esses habitats também são cruciais para as fases iniciais do ciclo de vida de várias espécies marinhas e de água doce.
Nas regiões de lagoa, o aumento da salinidade e a diminuição dos níveis de oxigênio na água, ambos identificados como possíveis efeitos das mudanças climáticas, podem alterar a disponibilidade de espécies pescadas, como o camarão-rosa, o siri-azul e a tainha.
As praias, por serem ambientes altamente dinâmicos e sensíveis, estão sujeitas a alterações na linha costeira devido à elevação do nível do mar e ao aumento na frequência de eventos climáticos extremos, como ciclones extratropicais.
A intensificação dos eventos climáticos extremos, juntamente com a diminuição dos níveis de oxigênio e o aumento da acidez no oceano, já podem estar afetando sinergicamente o desenvolvimento de várias espécies.
Continua depois da publicidade
Maricultura
O aumento da acidez no mar tem potencial para afetar organismos de cultivo, já que muitas formas larvais de invertebrados marinhos apresentam sensibilidade ao baixo pH, além de problemas associados à calcificação das conchas.
Conservação da biodiversidade
O aumento da temperatura do mar tem afetado epécies marítimas como as baleias-francas, que são frequentemente vistas ao longo da costa de Santa Catarina durante o inverno, tem encontrado áreas onde a temperatura da água tem superado as médias naturais do Oceano Atlântico.
Várias espécies de aves marinhas também podem ser impactadas pelas mudanças climáticas. Por exemplo, os filhotes de albatrozes-de-sobrancelha-negra têm menos chances de sobreviver com o aumento da temperatura da água.
Espécies que preferem águas frias, como os lobos-marinhos subantárticos e os elefantes-marinhos, são visitantes ocasionais em Santa Catarina. No entanto, devido à sua dependência de fatores ambientais para se deslocarem, é provável que sejam afetados pelas mudanças climáticas.
Continua depois da publicidade
Turismo
O turismo é sensível aos efeitos de mudanças climáticas sobre o oceano, com destaque para o efeito de furacões e alagamentos sobre destinos litorâneos, condições de navegação de embarcações de turismo deterioradas, por causa das frequentes tempestades, ondas de calor ou frio e outros.
Saúde humana
Os efeitos diretos das mudanças climáticas na saúde humana são resultado de eventos climáticos extremos, como ondas de calor e frio, furacões, inundações, incêndios e secas. De forma indireta, as alterações nos ecossistemas e seus ciclos biológicos e geoquímicos podem alterar o perfil epidemiológico de doenças já existentes, bem como de doenças emergentes e reemergentes.
Outra questão relacionada à saúde pública é a ocorrência de queimaduras causadas por águas-vivas durante o verão em toda a costa de Santa Catarina. Embora seja um fenômeno comum e envolva espécies com menor potencial de dano aos banhistas, há a possibilidade de que as mudanças climáticas intensifiquem esse fenômeno.
Os aportes continentais e os padrões de vento têm uma influência direta no recrutamento das espécies de águas-vivas, bem como na sua presença na zona de arrebentação. Além disso, espécies mais perigosas e até mesmo letais, como o grupo cubozoa, podem aumentar sua frequência em áreas de banho onde normalmente não são encontradas.
Continua depois da publicidade
Veja fotos de mudanças climáticas em SC
*Sob supervisão de Andréa da Luz
Leia também
Mudanças climáticas são grande desafio para cidades, diz organizador do Summmit
Apenas 22% das cidades brasileiras estão preparadas para mudanças climáticas, diz CNM