Em 13 de maio de 2026, daqui a menos de dois anos, Santa Catarina vai comemorar os 100 anos da majestosa Ponte Hercílio Luz. Enquanto isso, em 20 de outubro de 2024, completa-se um século da morte do engenheiro e político que governou o Estado (presidente da Província) por três vezes, foi senador da República e tem seu nome em aeroporto, clube de futebol, ruas e na grandiosa obra que une Ilha e Continente. Na cabeceira insular, nos altos do Parque da Luz, está seu monumento-túmulo, porém, sem um dos símbolos: a flor na mão do braço direito da estátua em corpo de mulher, como agradecimento do povo pela ligação Ilha-Continente.
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A peça foi levada por vândalos. A primeira vez da depredação foi em 1993. Na época, houve mobilização dos moradores e pressão sobre o poder público: o espaço foi restaurado e uma outra flor, obra do artista plástico Henrique Klein, com apoio de organizações não-governamentais, restituiu o conjunto da peça.
Não há informações oficiais sobre o segundo dano. O fato é que há anos a estátua segue com mão vazia, apenas segurando o cabinho do caule.
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No passado, monumento-túmulo recebeu homenagens e discursos
Nos arquivos da Biblioteca Pública de Santa Catarina está contada parte da história do monumento. Jornais da época, como O Estado, registram a homenagem pelos 25 anos da morte de Hercílio Luz. Edições publicaram convites para as diferentes solenidades, entre as que se destacam a “romaria à estátua de Hercílio Luz, onde se acham depositados os ossos do ilustre morto”.
Outras publicações mencionam solenidades no “túmulo-monumento”, com visitas e discurso do então governador Heriberto Hülse. A placa dessa homenagem ainda se encontra numa das laterais do monumento.
O corpo de Hercílio Luz foi enterrado no Cemitério da Irmandade Nosso Senhor dos Passos, ao lado do Hospital de Caridade. Em 17 de novembro de 1930, o jornal O Estado faz menção a isso, em artigo sobre outro político: “Que esse túmulo, e elle, como o de Hercílio Luz, lá está no cemitério dos Passos…”. Anos mais tarde, os restos mortais foram transferidos para o monumento. A data do traslado, no entanto, inquieta alguns pela ausência de registros nos jornais, como diz João Batista Soares, professor, geógrafo e pesquisador.
— Hercílio Luz foi um homem ilustre e causa estranheza a falta de registros na imprensa. Pode ser que tenha sido um ato silencioso para não chamar a atenção daquela Florianópolis de antigamente — sugere.
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Veja imagens do monumento-túmulo
Prefeitura promete avaliar devolução do símbolo de gratidão
Questionada pela reportagem, a Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria Municipal de Planejamento e Inteligência Urbana, informou que vai avaliar a melhor forma de restabelecer o monumento no âmbito da política de arte pública. Se considerar importante, é possível que o símbolo de gratidão retorne aos altos do Parque da Luz.
Assim como outras cidades, Florianópolis sofre com o vandalismo em monumentos e prédios. Um dos casos mais estrondosos ocorreu em 2013. Quatro bustos em bronze (Cruz e Sousa, Victor Meirelles, Jerônimo Coelho e José Boiteux) foram levados da Praça XV. Mas outros tipos de depredações, como pichações, também são comuns.
A Fundação do Meio Ambiente, a Floram, cuida do paisagismo das praças. Quando os trabalhadores percebem ou são avisados sobre algum dano, equipes da secretaria de Obras são acionadas para reparos.
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