Após uma norueguesa viralizar nas redes sociais ao apontar um suposto aumento nos seios depois de tomar a primeira dose da vacina contra a Covid-19 da Pfizer, outras jovens também começaram a reportar seus relatos sobre o efeito. Com a repercussão dos casos, dúvidas e comentários sobre o tema ganharam espaço na internet. Afinal, a vacina da Pfizer aumenta os seios?
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A médica mastologista e professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Érica Traebert, esclarece que não há na literatura científica nenhum caso reportado até agora de crescimento das mamas como efeito adverso dos imunizantes contra a Covid-19.
Segundo ela, o que se tem é especulação. A resposta imunológica à vacina não indica alterações mamárias. Trata-se de um acontecimento normal enquanto o corpo está construindo uma resposta imunológica para combater o vírus.
— Quando se toma uma vacina, podem ocorrer algumas reações que são decorrentes da resposta imunológica: reações locais (vermelhidão, dor, inchaço), reações sistêmicas (febre, mal-estar) ou reações regionais, onde a sintomatologia seria sentida por toda a região do corpo mais próxima do lugar da picada. No caso das vacinas contra Covid-19 aplicadas no braço, a reação pode levar a um inchaço ou aumento dos gânglios linfáticos (ínguas) da axila do mesmo lado em que a vacina foi aplicada, e a pessoa pode sentir um nódulo ou caroço nesta região.
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Traebert explica que é comum que os gânglios linfáticos apareçam como efeito colateral à vacina e desapareçam em torno de quatro ou seis semanas após o recebimento de uma ou duas doses.
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Procure um especialista
Se você reparou algum aumento nos seios, não deixe de procurar um médico especialista. Outras questões, como alterações hormonais e ganho de peso, podem estar relacionadas à mudança.
A Comissão Nacional de Mamografia, que reúne representantes do Colégio Brasileiro de Radiologia, da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, publicou orientações em relação à realização da mamografia e à vacinação contra a Covid-19.
Em nota, esclarece, primeiramente, que as vacinas contra o coronavírus não causam câncer de mama ou quaisquer outras doenças na mama. Os imunizantes algumas vezes provocam inchaço passageiro de gânglios embaixo do braço que podem aparecer nos exames de mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética das mamas.
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Por isso, recomenda-se que, ao fazer o exame, a paciente informe se foi vacinada, quando foi e em qual braço recebeu a vacina para evitar equívocos de interpretação por parte do médico.
Além disso, as mulheres que foram imunizadas, sobretudo aquelas que estiverem com atraso na realização da sua mamografia, não devem postergar ainda mais o exame. Conforme as entidades, em 2020, entre 30% e 50% das mulheres deixaram de realizar suas mamografias devido à pandemia de Covid 19.
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Para mulheres com os exames em dia, a comissão recomenda aguardar quatro semanas após a vacinação, quando esse prazo não prejudicar a avaliação para o diagnóstico de câncer de mama. Pacientes com câncer de mama diagnosticado ou com sintomas não devem retardar sua avaliação médica e os exames solicitados por terem sido vacinadas recentemente.
As entidades ainda alertam que nenhuma mulher deve abdicar da vacinação por medo de que ela possa afetar seus exames nem deixar de realizar suas consultas.
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