Ainda no Planalto Norte de Santa Catarina, a cerca de 60 quilômetros de São Bento do Sul, há mais uma usina com a proposta de transformar lixo em fonte de energia. A ideia para a construção em Mafra surgiu ainda em 2012 com um projeto piloto, feito em parceria entre a Serrana Engenharia — agora Seluma — e um professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Na época, foram usados recursos federais da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Foi a partir destes estudos que a empresa gerenciadora da usina e aterro sanitário da cidade entrou com a solicitação de licenciamento junto ao órgão ambiental de Santa Catarina e iniciou as operações no final de 2022.
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Apesar da proposta de produzir energia elétrica, como a usina de São Bento do Sul, a edificação de Mafra realiza um outro processo para a geração de energia. Nesta última, a usina recebe os resíduos sólidos urbanos (RSU) brutos e a partir daí faz a segregação, triagem e trituração dos produtos. Em seguida, o material é processado em uma câmara de gaseificação, gerando energia.
O RSU que é gaseificado gera um gás, o syngas, que é queimado em uma fornalha, gerando calor que esquenta a água da caldeira. Com o vapor da água, uma turbina é impulsionada e gera a energia que é lançada na rede elétrica da concessionária. Depois, esta energia é entregue para concessionárias que distribuem e vendem para empresas privadas ou o governo. O processo é chamado de gaseificação.
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Infográfico mostra como Mafra processa o lixo para gerar eletricidade
Conforme o diretor de operações da Versa Engenharia, Marciano Kuviatkoski, a capacidade de lixo segregado na usina de Mafra é de 3,6 mil toneladas por mês. Além disso, destaca que o empreendimento não recebe somente o RSU da cidade onde fica localizado, mas da região, incluindo os municípios de Jaraguá do Sul, Canoinhas, Itaiópolis e Três Barras, por exemplo, somando cerca de 20 cidades. Por ser um projeto inovador, a edificação ainda não atua de forma completa. A empresa trabalha em melhorias para que a usina consiga reproduzir sua capacidade total.
Outro ponto diferente de São Bento do Sul é que em Mafra a edificação não promove a reciclagem propriamente dita. Ela apenas recebe uma parcela do resíduo bruto que até então iria para o aterro sanitário. Para a prefeitura de Mafra, o processo é importante porque o município economiza na disposição dos resíduos aterrados — logo, tem um ganho no aumento da vida útil do aterro.
A administração municipal também aponta que a intenção futura é que esse trabalho de tratamento de resíduos evolua e passe também a gerar energia para Mafra, além do intuito de que a gestão de resíduos possa ir além da redução de lixo no aterro e contribuir para uma matriz energética mais sustentável. A prefeitura acredita que a iniciativa pode tanto aliviar o aterro como transformar o que seria descartado em um recurso útil para a cidade, trazendo economia e inovação. O governo municipal vê a usina como um investimento inteligente no futuro, com benefícios ambientais e energéticos.
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De energia elétrica a pavimentação, o que são as usinas que transformam a realidade do lixo em SC