Todo mundo que já manuseou lixo encontrou aquele líquido com cheiro desagradável que se acumula dentro dos sacos plásticos ou até nas lixeiras. Conhecido como “chorume”, o material é resultado da decomposição da matéria orgânica e pode ser altamente poluente. Ao mesmo tempo, ele pode ser utilizado para gerar energia elétrica, como é feito em Itajaí. Administrada pela empresa Ambiental, a usina de Itajaí captura os gases gerados pelo chorume, entre eles o perigoso metano, purifica as substâncias que, depois, vão para um gerador que transforma tudo isso em energia.
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— A usina é abastecida pelo biogás que é gerado da decomposição dos resíduos do aterro. É construído todo um sistema de drenagem dos gases para que, quando esses resíduos se decompuserem, esses gases gerados sejam captados pelo sistema de drenagem e conduzidos até a usina. Lá, existe todo um processo de purificação, digamos assim, para então esses gases gerarem energia — explica o gerente de engenharia da Ambiental, Everton Herzer.
Ivana Laís, Gerente Trainee da Ambiental, destaca que a usina de Itajaí produz energia limpa sem precisar de recursos naturais adicionais, já que utiliza o biogás gerado pela decomposição do lixo.
— Isso significa que, em vez de liberar gases nocivos na atmosfera, estamos capturando e transformando esses gases em energia. Além de contribuir para o meio ambiente, o uso do biogás promove inovação e coloca a nossa região na vanguarda das novas formas de geração e distribuição de energia — indica.
Para a mestre em Engenharia Ambiental, Eduarda Piaia, a alternativa executada em Itajaí é um bom exemplo do que pode ser feito com os gases produzidos pelo chorume.
— Se esse gás fosse simplesmente deixado no aterro sanitário, ele poderia ir para a atmosfera e acabar gerando gases do efeito estufa, principalmente o metano, que é 28 vezes mais poluente do que dióxido de carbono — explica a engenheira.
Infográfico mostra como Itajaí transforma metano em eletricidade
Eduarda enfatiza que esse processo acontece em todos os aterros sanitários, que tem tanto captação do chorume e também dos gases gerados na decomposição da matéria orgânica, como o metano. Entretanto, a especialista destaca que os aterros sanitários não são “vilões”, mas soluções de engenharia para o tratamento dos resíduos produzidos pela população — diferente dos lixões. Os aterros, além de tratar devidamente os resíduos, possuem processo de licenciamento ambiental que autoriza a sua operação, bem como a execução de controles ambientais que permitem que funcione tudo adequadamente.
Conforme Eduarda, em alguns casos, sobre a camada de resíduos dos aterros sanitários são colocadas mantas geotêxteis que permitem um maior confinamento do gás gerado e posterior envio para usinas de produção de biogás e biometano.
— Então fazendo essa captação, se não fosse gerar energia, os gases seriam conduzidos para uma torre onde esse gás metano é queimado e é convertido de metano em dióxido de carbono, se tornando menos nocivo. Mas no caso de Itajaí, como existe a usina para produção de biogás e está utilizando os gases para gerar energia, é uma boa alternativa da mesma forma — cita Eduarda.
Por fim, a engenheira cita que alternativas de redução de geração de resíduos são sempre as mais indicadas. Além disso, como aterros sanitários demandam extensas áreas para sua instalação, o ideal é que as pessoas priorizem a diminuição de embalagens e ações como a reutilização, compostagem e reciclagem.
No caso da usina de Itajaí, após a energia elétrica ser gerada, ela é conectada à rede de distribuição da concessionária de energia, no caso, a Celesc, e depois é vendida no mercado livre de energia. Herzer explica que existem alguns critérios técnicos que o cliente deve cumprir para comprar a energia do ambiente de contratação livre, mas que, geralmente, a compra é feita por indústrias e grandes comércios.
Cidade mais populosa de SC terá usina com sistema inédito na América Latina
Também administrada pela Ambiental, outra usina deverá ser inaugurada ainda este ano em Santa Catarina. A chamada Unidade de Recuperação Energética (URE) está em construção na cidade mais populosa do estado, Joinville. O espaço utilizará tecnologia inovadora de aproveitamento de resíduos sólidos para a geração de energia. A URE terá capacidade de processamento de 110 toneladas por dia, o que representa 25% do total de resíduos orgânicos produzidos no município.
Veja fotos das usinas de Itajaí e Joinville, ambas da Ambiental
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— No caso de Itajaí, o resíduo é aterrado e aí é feita a captação do gás da decomposição. Em Joinville, o resíduo não será aterrado, mas será processado para se transformar em um combustível e esse material vai ser responsável pela geração de energia. Em breve a gente deve ter essa essa unidade operando — comenta o gerente de engenharia da Ambiental.
A empresa explica que a futura usina terá uma fase de separação, trituração e secagem do material que será transformado em composto biossintético industrial (CBSI), combustível biossintético industrial. Esse combustível terá a função de alimentar uma caldeira de vapor que movimentará turbinas para a geração de energia elétrica.
Joinville será a primeira cidade da América Latina a contar com essa tecnologia de geração de energia a partir de resíduos. O processo já é usado em países como Japão, que conta com mais de mil unidades, e China, com mais de 600 unidades instaladas. Outros países da Ásia, Europa e América do Norte também já utilizam a tecnologia, informa a Ambiental.
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De energia elétrica a pavimentação, o que são as usinas que transformam a realidade do lixo em SC