A urna eletrônica costuma ser um dos assuntos principais nas eleições. Mesmo sendo alvo de fake news e teorias da conspiração, o equipamento se sustenta há décadas como um aliado para garantir um processo eleitoral ágil e seguro. Conheça a história da urna e como funciona a segurança dela.
A origem do equipamento tem DNA catarinense. Foi em 1989, em Brusque, que a votação eletrônica foi testada pela primeira vez no país. Três décadas depois, o sistema mais ágil do mundo dá sinais de avanço.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já anunciou que vai comprar até 180 mil novas urnas eletrônicas para as eleições de 2022 e ainda busca parcerias para desenvolver uma nova modalidade de voto: pelo celular.
Conheça a história e a evolução da urna eletrônica no Brasil:
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EVOLUÇÃO DAS URNAS EM SC
A preocupação com os sistemas de segurança das urnas, de forma a garantir a inviolabilidade do voto, surgiu antes mesmo da criação da Justiça Eleitoral no Brasil.
1937: URNA DE MADEIRA
Em função da abundância de madeira, Santa Catarina optou por este tipo de produção.
Lacres de cera sobre as faixas.
Trancado à chave.
Eram vedadas com papel ou tecido, rubricados pelo presidente da mesa e, se assim o quisessem, também pelos candidatos e fiscais dos partidos. A impressão digital também era válida.
PORTA
1956: URNA DE LONA BRANCA
Visando substituir a urna de madeira, chegou a ser usada em algumas localidades até 1992. As três etapas do processo de lacragem eram feitas em cerimônias públicas.
A fenda (interna) para depósito das células recebia selos rubricados pelo Juiz eleitoral. Sobre a fenda era colocado um cadeado.
Grandes feixes de zíper interno e externo
Lacre com arame e selo de chumbo com a inscrição TRE
1965: URNA DE LONA MARROM
Eram mais práticas e econômicas do que a versão anterior. Foram concebidas para substituir as urnas com zíper danificadas, mas acabaram sendo adotadas como padrão.
Aberta, a lona se desdobra para a inserção das cédulas
Fechada, a urna era mais fácil de ser transportada
Tampa
As fendas eram lacradas com selos de papel, rubricados pelo juiz eleitoral em audiência pública
LONA
1995: URNA EXPERIMENTAL
O TRE-SC fez a primeira eleição municipal totalmente informatizada da América Latina, em Xaxim. O protótipo foi semelhante ao utilizado em Brusque, desde 1989. Eram dois módulos, um para o mesário e o outro para o eleitor.
Teclas visíveis com as informações para o eleitor
Os dados eram armazenados pela memória do computador e em disquetes flexíveis
Uma cobertura plástica, com orifícios específicos, era colocada sobre o teclado comum. Sob a tampa, as demais teclas eram removidas.
1996: URNA ELETRÔNICA
Desde a instituição da votação digital, a urna eletrônica teve poucas alterações no layout ou adaptações, a principal foi a adoção da biometria.
Terminal do mesário identifica o eleitor e o autoriza a votar. Hoje tem dispositivo para ler impressão digital.
Tela de cristal líquido
Teclado numérico
Entrada para leitura de cartão magnético, que não chegou a ser utilizada
Terminal do eleitor
Modelo físico da urna é fechado e não permite acesso à memória
Teclado para o registro do voto
Mais de 30 itens de segurança, com criptografia de dados e chaves de segurança em todas as fases do processo de votação
INFOGRAFIA: Ben Ami Scopinho, NSC Total DESENVOLVIMENTO WEB: MAIARA SANTOS
A urna eletrônica está consolidada no Brasil, mas ainda recebe ataques. O presidente Jair Bolsonaro disse que pretende implantar um ‘sistema eleitoral confiável’ nas eleições de 2022 para substituir o voto eletrônico.
O processo eleitoral nos EUA não é digitalizado, nem termina com a agilidade em que a apuração é feita aqui. Em relação às especulações sobre a confiabilidade nas eleições brasileiras, o TSE tem reiterado a segurança das urnas e rebatido suspeitas falsas levantadas por meio de fontes duvidosas.
Entenda o processo para garantir a segurança da urna eletrônica no Brasil: