Estas fotos e a história que elas contam ficaram guardadas num arquivo durante quatro meses. Não estávamos certos se elas deveriam ou não ser publicadas. Havia o receio de invasão de privacidade, tornando pública uma história de amor e ao mesmo tempo uma tragédia familiar que só dizia respeito aos seus três protagonistas: Renato, o pai; Estrela, a mãe e Iasmim, a filha. Por outro lado, as imagens são tão belas e inspiradoras que acreditávamos que sua publicação seria, antes de tudo, uma homenagem ao grande atleta e pai dedicado que foi Renato Ribeiro, manezinho morador da Praia do Campeche.
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Confira a galeria de imagens com todas as fotos da família
Ele morreu aos 28 anos de idade, dia 24 de fevereiro deste ano, durante uma manobra no ar, quando participava da segunda etapa do Campeonato Estadual de Asa-Delta. Quem nos ajudou a decidir pela publicação das fotos e da história foi a mulher de Renato, Estrela Terra, 34 anos, com quem ele estava casado havia oito anos. Ela é paulista, chegou a ser campeã amadora de surfe e está se formando em Educação Física na UFSC, onde trabalha no laboratório de esportes adaptados para portadores de necessidades especiais.
Estrela e Renato só tiveram uma filha, Iasmim, hoje com cinco anos e que frequenta a pré-escola. A gravidez aconteceu quando eles moravam em Portugal – foi lá que se conheceram, e em poucos dias já estavam morando juntos. Renato dava aulas de surfe nas praias portuguesas. Decidiram, então, voltar ao Brasil, e a Florianópolis, para que a filha pudesse nascer e crescer perto do mar, junto à natureza. Na Praia do Campeche, terra de Renato, a família encontrou seu lugar no mundo.
Ele era um esportista conhecido e admirado. Deu aulas de surfe para muitos jovens da comunidade, mas sua grande paixão era mesmo voar, gosto que herdou do pai, Rogério Ribeiro, um dos precursores do voo livre em Florianópolis, no começo dos anos 1980, e que comandou uma escola de pilotos até 2007, quando morreu.
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De aluno aplicado Renato passou a professor, quando voltou de Portugal. Em pouco tempo, determinado como era, tornou-se o único instrutor habilitado a fazer voo duplo em Santa Catarina. No seu currículo estão mais de dois mil voos. Quando morreu estava em primeiro lugar no ranking estadual e muito bem colocado no nacional. Confiante, acreditava que este seria o seu melhor ano no esporte.
Renato começou a ensinar Iasmim a surfar com apenas dois anos de idade. Estavam sempre juntos, os três, inventando mil aventuras. E é para que a filha nunca se esqueça desses momentos em família que Estrela não só autorizou a publicação das fotos como também decidiu juntar a elas um texto de próprio punho, relembrando a história da sua “pequena e brava família”.
Estrela diz que guardará estas páginas da Revista Donna em uma caixa de lembranças que está criando para Iasmim. Um verdadeiro “baú de tesouros”, onde serão depositados objetos que fizeram parte da história dos três e que ajudarão a menina a lembrar para sempre do pai, um homem corajoso e destemido, que, como Iasmim mesmo gosta de repetir, “virou um anjo lá no céu, porque ele gostava muito de asas, para poder voar livre por aí”.
Leia o texto de Estrela Rangel em homenagem ao marido