Santa Catarina teve três treinadores expostos por abuso de estudantes — a maioria menor de idade — em um intervalo de quatro meses. A recente prisão do técnico de handebol de Saudades por suspeita de abusar sexualmente de ao menos sete alunos se soma a outras duas situações e mostra que casos como este não são isolados no Estado.

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As investigações contra o treinador de handebol começaram após relatos de que ele teria tocado em partes íntimas dos atletas a pretexto de auxiliar em exercícios físicos. Segundo o delegado responsável pelo caso, Lucas Gomes de Almeida, ele também faria “massagens” enquanto elogiava os corpos dos alunos.

Até o técnico ser preso no último sábado (26), ao menos sete vítimas – com idades entre 11 e 16 anos – tinham sido identificadas. O caso aconteceu em Saudades, no Oeste catarinense. O homem de 37 anos deve responder por estupro de vulnerável, assédio e importunação sexual. A investigação permanece em sigilo e o nome do suspeito não foi divulgado.

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Em agosto, uma situação semelhante foi exposta em São José, na Grande Florianópolis. O treinador de vôlei André Testa foi preso na cidade suspeito de estupro e assédio sexual. Ao menos nove vítimas, entre garotas e garotos, afirmaram que os abusos ocorreram quando eram adolescentes. O caso veio à tona após reportagem exclusiva da NSC, em apuração conjunta dos jornalistas Raphael Faraco e Juan Todescatt.

A  delegada Marcela Goto, da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), contou que alguns atletas eram embriagados antes dos abusos.

— Ele tinha o mesmo modus operandi. Ele ganhava confiança [dos atletas], saía para restaurantes e bares, fornecia bebidas alcoólicas para adolescentes e, posteriormente, abusava sexualmente dos mesmos — explica a delegada. 

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Os jovens contaram a relação de confiança que tinham no treinador e como ele conseguia ser “manipulador” e “persuasivo”, o que dificultou também que as vítimas entendessem os crimes.

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— Ele ganha muito a confiança e acabou abusando de mim — contou uma das testemunhas— Eu não tava, como eu posso dizer, eu não tava entendendo direito essa situação. Eu era virgem na época. Foi a minha primeira vez — completou.

Em nota divulgada na época, a defesa do treinador alegou que a prisão foi “importuna, desnecessária e ilegal” e que ele é inocente das alegações.

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Também em São José, o técnico do time de futsal feminino Sanrosé Reginaldo Valdir Vieira passou a ser investigado por abuso sexual após a denúncia de pelo menos 12 atletas.

Leslley Correa, 20 anos, foi uma das vítimas que denunciou Vieira, de 31 anos. Ela relatou ao Hora de Santa Catarina a dinâmica dos abusos que as jogadoras sofriam e a pressão para que fizessem sexo com o treinador.

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— Ele insistia muito para que a gente tivesse relação [sexual]. Isso [contar] é muito difícil. Eu era virgem na época, ele falava: “Tu só vai conseguir jogar bem quando tu perder tua virgindade”. Uns absurdos, sabe? — diz. 

O escândalo foi revelado em julho, em uma reportagem exclusiva exibida no Esporte Espetacular, da TV Globo. Para a delegada do caso, Marcela Goto, ele negou todas as acusações

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