Florianópolis, capital de todos os catarinenses, é uma das cidades mais procuradas da América do Sul durante o verão. Turistas de diversos lugares do mundo desembarcam anualmente na ilha para curtir as belas praias, a cultura e a magia que fazem de Floripa um lugar especial. Mas, em meio a tantos pontos positivos, existe um grande desafio para os governantes: a mobilidade urbana da capital.

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Uma das alternativas é um assunto que já está sendo discutido há praticamente uma década: o transporte marítimo. E, para se espelhar, Florianópolis pode tomar como exemplo uma outra ilha: a cidade de Vitória, capital do Espírito Santo, integrou o transporte marítimo na rotina da população – e está colhendo bons frutos.

O Secretário de Mobilidade e Infraestrutura do Espírito Santo, Fábio Damasceno, foi um dos responsáveis por implantar o sistema aquaviário na capital capixaba, e foi um dos convidados do CBN Talk Cidades, evento que aconteceu no Square SC, em Florianópolis, na noite de terça-feira. Engenheiro Civil com mestrado em transportes, Fábio destacou que a modalidade aquaviária pode ser uma boa alternativa para desafogar a mobilidade em Florianópolis. Porém, defende a integração de diversos modais do transporte coletivo e investimentos em tecnologia para melhorar ainda mais a mobilidade na capital.

— Sem dúvida, o transporte marítimo pode ser uma solução relevante para a mobilidade urbana em Florianópolis, assim como tem sido na Grande Vitória. O Aquaviário foi implementado como um serviço complementar, integrado ao sistema Transcol pelo Cartão GV, sem cobrança adicional. Ele atende a diferentes demandas: desde o turismo, que utiliza amplamente o serviço, até atividades rotineiras, como deslocamentos para trabalho e estudo. No entanto, acredito firmemente no conceito de mobilidade integrada. Não há um único investimento ou modal que possa resolver todos os desafios da mobilidade urbana. É a combinação de obras de infraestrutura, uso de tecnologias inteligentes, melhoria constante do serviço e equipamentos, e a diversificação de modais que, juntos, proporcionam uma solução estratégica para melhorar a qualidade do transporte e, consequentemente, a qualidade de vida dos cidadãos  — destacou Fábio.

Fábio cita o exemplo de Vitória como caso de sucesso do sistema aquaviário, e acredita que, uma das alternativas para Florianópolis seria usar o modelo como forma de ligar a ilha ao continente, diminuindo as filas nas pontes em horários de pico. Essa opção já é tema de estudos por entidades e empresas que acreditam que o transporte marítimo é uma das soluções para um dos grandes problemas da nossa capital. Mas reforça que é necessário realizar investimentos em outras formas de transporte.

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— Planejar vias e modais complementares, como ciclovias e sistemas aquaviários, integrados ao transporte público, também é essencial. Na Grande Vitória, temos exemplos de mobilidade integrada que funcionam muito bem. Há usuários que começam o trajeto de patinete em uma cidade, utilizam o barco e finalizam o percurso de ônibus na capital; outros combinam bicicleta e o Aquaviário para chegar ao destino. Acredito fortemente na mobilidade integrada como uma solução eficaz para os gargalos no trânsito. Quando bem planejada e com a adesão dos gestores públicos e da população, ela não apenas alivia o trânsito, mas também melhora a qualidade de vida dos cidadãos, oferecendo opções de deslocamento mais rápidas, sustentáveis e confortáveis — ressalta.

Além da mobilidade, a inovação tecnológica também foi assunto na edição de 2024 do CBN Talk Cidades, que contou com a participação de Bernardo Meyer, coordenador de mobilidade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e de Aldo Garcia, CEO de uma das principais empresas de tecnologia do Brasil. Os debates foram mediados pelo jornalista e comentarista da NSC Renato Igor.