Um homem que carregava uma bandeira iraniana com a frase “Liberdade de vida das mulheres” e uma mulher que fazia uma manifestação contra o caso Mahsa Amini tiveram objetos confiscados pelos seguranças da Copa do Mundo no Catar. O caso ocorreu nesta sexta-feira (25), antes do jogo do Irã contra o País de Gales, pela segunda rodada da fase de grupos. As informações são do g1.

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A mulher utilizava uma maquiagem com a escrita “Irã” no rosto, porém com lágrimas em preto escorrendo dos olhos. Até a publicação desta reportagem não houve confirmação se os torcedores são iranianos.

Outros protestos de iranianos durante a Copa do Mundo no Catar

Na estreia do Irã na Copa do Mundo no Catar, na segunda-feira (21), no estádio Internacional Khalifa, torcedoras se emocionaram no momento em que tocou o hino do país e pessoas na arquibancada mostraram cartazes e faixas de apoio às mulheres com os dizeres “woman” e “woman life freedom”.

Dentro de campo, também houve manifestações de protesto. Durante o hino do Irã, os jogadores iranianos se calaram em protesto ao regime autoritário em vigor no país.

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— Não importa o que eles digam, as pessoas querem matá-los. Você imagina estar em um momento de sua vida em que pode ser assassinado por tudo o que você diz? Com certeza temos sentimentos e crenças e em seu devido tempo, no momento adequado, os expressamos — afirmou o treinador da equipe, Carlos Queiroz.

No segundo jogo do Irã, nesta sexta-feira (25), os atletas cantaram o hino normalmente.

— Vocês nem imaginam o que esses rapazes estão vivendo a portas fechadas nos últimos dias — disse Queiroz.

Entenda os protestos

No Irã, as mulheres eram proibidas de irem a jogos de futebol até agosto deste ano. Essa restrição começou a valer em 1979, quando ocorreu a Revolução Islâmica.

O país também vive uma onda de protestos há cerca de dois meses. Isso se deve ao caso da jovem curda Mahsa Amini, de 22 anos, que apareceu morta após ser presa pela polícia dos costumes do país por “uso inadequado” do véu islâmico, obrigatório no Irã.

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Irã supera País de Gales em jogo que teve primeira expulsão da Copa

Desde o início dessas manifestações, cerca de 380 pessoas morreram em setembro, no Irã. Também morreram pelo menos 47 crianças, segundo a Iran Human Rights Watch, a principal organização de monitoramento das manifestações.

Ainda foi registrada a primeira condenação de um protestante à pena de morte. Segundo o governo iraniano, a punição foi por “perturbar a ordem e a paz da comunidade e cometer um crime contra a segurança nacional”. O governo disse que ele teria ateado fogo contra um prédio da instituição.

Veja fotos do protesto de torcedores do Irã na Copa do Mundo no Catar

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