O Furacão Catarina foi o único fenômeno deste tipo a atingir o Brasil. Pelo menos, o único que se tem registro. Formado em condições únicas, mas que, devido às mudanças climáticas, pode voltar a ocorrer, o furacão categoria 2 na escala Saffir-Simpson passou pelo Sul de Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul deixando um rastro de destruição. 

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Era quarta-feira, 24 de março de 2004, quando os meteorologistas da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) perceberam algo diferente se formando no oceano. 

A meteorologista Gilsânia Cruz, da Epagri, que já atuava na época, explica que, ao contrário dos ciclones, fenômenos comuns em Santa Catarina, o furacão se forma no mar e vem em direção à costa ganhando força. O Catarina se formou assim, graças às águas quentes no Atlântico Sul, o que é mais comum no mês de março. 

O que também ocorreu na época é outro fenômeno comum na formação de furacões, um bloqueio atmosférico. O furacão veio se “alimentando” do calor da água e se aproximando da costa nos dias seguintes.

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Gilsânia relembra que o modelo usado em Santa Catarina era menor e, por isso, o Centro Nacional de Furacões (NHC, na sila em ingês) dos Estados Unidos foi quem fez o alerta: o que estava por vir era, sim, um furacão. 

Entenda como se formam os furacões

Mudanças climáticas podem favorecer novo furacão? 

A temperatura mais quente na superfície do mar, assim como naquele março de 2004, favorecem a formação de furacões. Conforme Gilsânia, naquela época, isso era algo único entre os registros. 

Agora, no entanto, as mudanças climáticas fazem com que o mar fique ainda mais quente. Segundo a meteorologista, algo parecido só foi registrado em fevereiro deste ano, com a tempestade tropical Akará. 

— Ele tinha calor tanto em baixos níveis quanto nos níveis mais altos, e mantinha essa atmosfera mais aquecida que desde o Catarina a gente não via — explica. 

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— Como está mais quente que o normal, nós sempre ficamos mais “ligados” durante este mês — afirma. No entanto, segundo Gilsânia, não há previsão de novos fenômenos como o Catarina.

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