Após o descarte de mais de 168 mil doses de vacinas em 2024, em Santa Catarina, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) afirmou que está elaborando um Relatório de Auditoria. O objetivo é avaliar, entre outras questões, o sistema de armazenamento, transporte e manuseio dos imunizantes, para mitigar as perdas de doses. As informações são da NSC TV.

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O Tribunal informou à emissora que está recebendo e analisando as respostas. Após a conclusão dos trabalhos, serão definidas as orientações aos municípios e Estado.

“Em 2024, o TCE/SC iniciou um Relatório de Auditoria (número 80026510), que tem como objetivo avaliar a adesão do estado e dos municípios aos sistemas de informações do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, verificar a atuação da gestão para o acompanhamento e recuperação da situação vacinal, assim como a adequação da Rede de Frio para mitigar as perdas de vacinas”, diz a nota.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) também se manifestou sobre o assunto. A pasta detalhou que, das 168 mil doses descartadas no ano passado, 154 mil eram destinadas à campanha de 2023 contra a Influenza, e que a adesão naquele ano foi de cerca de 53%.

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A secretaria disse, ainda, que a quantidade de vacinas descartadas representa 1,3% do total de imunizantes recebidos e distribuídos para as cidades catarinenses.

“A rede de frio estadual (sistema que garante a qualidade das vacinas distribuídas nas unidades de saúde) atende a elevados padrões para a conservação de insumos termolábeis, não ocorrendo nenhuma perda em relação ao armazenamento e transporte dos imunobiológicos a partir do recebimento pela SES”, declarou a pasta.

Veja a nota do TCE na íntegra

Em 2024, o TCE/SC iniciou um Relatório de Auditoria (número 80026510), que tem como objetivo avaliar a adesão do estado e dos municípios aos sistemas de informações do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, verificar a atuação da gestão para o acompanhamento e recuperação da situação vacinal, assim como a adequação da Rede de Frio para mitigar as perdas de vacinas.

O processo se encontra em fase de audiência, que é quando o Tribunal recebe e analisa as respostas encaminhadas pelos municípios a respeito das sugestões apresentadas no relatório de auditoria operacional.

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Após o processo ser finalizado, com a decisão do Pleno, o TCE/SC monitora os municípios para ver quais ações foram adotadas. Podem ser feitos tantos monitoramentos quantos forem necessários.

Descarte de vacinas

Santa Catarina descartou 168.392 doses de vacinas em 2024, o que representa um desperdício de R$ 4.494.361,01. Entre os motivos informados pela Secretaria de Estado da Saúde, estão a perda por quebra de frascos e a perda por validade vencida. O Estado alega que a principal causa para este desperdício é a baixa adesão da população às campanhas de vacinação.

No ano passado, Santa Catarina liderou o ranking da Confederação Nacional dos Municípios como o Estado que mais teve falta de vacinas no Brasil. Cerca de 87% dos municípios catarinenses relataram a falta de imunizantes nos centros de saúde.

Para o diretor da Vigilância Epidemiológica do Estado, João Augusto Fuck, as doses são descartadas pelo prazo de validade antes mesmo de serem entregues aos municípios por conta da falta de procura da população pelas vacinas. A maioria das doses perdidas é contra a Influenza e a Covid-19.

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— Se nós lembrarmos da Influenza, nos últimos dois anos tivemos uma adesão muito baixa na campanha de vacinação. As pessoas acabam não procurando. Nós mantemos um estoque estratégico para atender o público alvo da campanha, mas as pessoas não procuram — pontua.

Só da Covid-19, foram 11.850 doses desperdiçadas. O diretor da Vigilância Sanitária explica que, em relação a esse tipo específico de vacina, as perdas acontecem porque as doses são separadas por faixa etária do público-alvo de vacinação e, muitas vezes, acabam não atendendo quem mais está precisando no momento.

— Mantemos proporcional aos municípios, temos o cuidados de mandar para quem precisa mais, olhando para a população para mandar o quantitativo necessário. Mas ao longo de 2024 houve desabastecimentos pontuais ao longo do ano. Em determinados momentos, o Ministério da Saúde mandou só para adultos, em outros apenas para crianças, e isso pode acarretar em faltas na ponta — diz.

Outros tipos de doenças também tiveram as vacinas descartadas, como a da Tríplice DTP, que previne a difteria, o tétano e a coqueluche, e contra a Hepatite B, que custa R$ 2.787,21 por dose. Essa última, por exemplo, foram 2.442 doses perdidas por conta de vencimento — um prejuízo de R$ 1.645,849,74.

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