O Outubro Rosa é uma campanha internacional para a prevenção do câncer de mama. Só em 2020, foram registrados cerca de 2,3 milhões de novos casos da doença em todo o mundo. No mesmo ano, de acordo com o Atlas de Mortalidade do Câncer do Brasil, cerca de 18 mil pessoas morreram por câncer de mama no país: 17.825 mulheres e 207 homens. Em Santa Catarina, a taxa de mortalidade é de 7,34 a cada 100 mil habitantes, correspondendo ao 6º estado com mais mortes.
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Em 2022, o tema do Outubro Rosa no Brasil é “Eu cuido da minha saúde todos os dias. E você?”. O destaque ao autocuidado rotineiro está relacionado a um dos principais pontos no combate contra o câncer de mama: o diagnóstico precoce. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), um em cada três casos desse câncer pode ser curado, caso seja descoberto em fases iniciais. Porém, o medo e a desinformação dificultam a prática do monitoramento de sinais e sintomas relacionados à doença.
Veja vídeo sobre a origem do Outubro Rosa:
Enquanto, neste ano, o desafio é conscientizar a população, antes do Outubro Rosa existir, a dificuldade era ter acesso a informações precisas e tratamento adequado. No início dos anos 50, por exemplo, o The New York Times negou um anúncio sobre um grupo de apoio ao câncer de mama porque o jornal não publicaria as palavras “mama” ou “câncer”.
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A origem do Outubro Rosa
Aos poucos, o câncer de mama começou a entrar em pauta e perder o estigma. Em 1969, é inventada a versão moderna da mamografia, o principal exame médico para diagnosticar a doença. Então, em 1972, a atriz e dançarina Shirley Temple Black foi uma das primeiras figuras públicas a falar abertamente sobre seu diagnóstico.

Dois anos depois, a Primeira Dama dos Estados Unidos da América, Betty Ford, realizou uma mastectomia, cirurgia de retirada da mama. O procedimento trouxe mais atenção à doença na esfera pública. Ainda em 1974, Margaretta Rockefeller, segunda esposa do Governador de Nova Iorque à época, também precisou recorrer à cirurgia, com uma dupla mastectomia.

Mesmo com a influência dessas figuras públicas, a conscientização sobre o câncer de mama só ficou mais forte a partir das décadas seguintes. Em 1982, Nancy Brinker criou a Fundação Susan G. Komen em memória a sua irmã, que faleceu depois de três anos lutando contra a doença. Susan soube de seu diagnóstico aos 33 anos de idade, mas não buscou um especialista imediatamente. Então, quando o médico foi consultado, o câncer já estava no Estágio IV: havia se espalhado.
Por que o outubro para a campanha?
A conscientização sobre a doença foi uma das principais bandeiras da organização e, em 1983, Komen realizou a Primeira Corrida para a Cura, em Dallas, no Estado do Texas. O evento tornou-se uma ação anual de arrecadação de dinheiro e visibilidade. Pouco tempo depois, a Sociedade Americana do Câncer em parceria com, o que viria se tornar, AstraZeneca, realizou o Primeiro Mês da Conscientização sobre o Câncer de Mama, em outubro de 1986. O evento foi impulsionado por Gerald e Betty Ford, presidente e primeira-dama dos EUA.
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A cor e o símbolo
Até então, a campanha para a prevenção do câncer de mama não possuía cor ou símbolo unificado. O laço rosa, como conhecemos, só se popularizou a partir de uma edição especial de “Conscientização do Câncer de Mama” da Revista Self, distribuída em 1992. Apesar disso, os laços já tinham sido utilizados em outras campanhas, como a de luta contra a AIDS, com fitas vermelhas.

No caso do câncer de mama, o primeiro laço foi feito em 1991 por Charlotte Haley, 68, que viu a irmã, filha e neta terem câncer de mama. Em um cartão cobrando mais ação do legislativo americano, Charlotte reivindicava mais investimentos para o combate da doença. Junto ao cartão estava um laço na cor pêssego.

Ainda em 1991, a Fundação Susan G. Komon distribuiu os laços rosas, pela primeira vez, na Corrida para a Cura em Nova Iorque. A cor já estava presente nas ações da organização, que entregava viseiras rosas nas corridas de anos anteriores, então, a mudança para a fita foi quase orgânica. A rosa também era associada à saúde. Desde então, a cor e o laço de fita são símbolos do combate ao câncer de mama em todo o mundo.
Outubro Rosa no Brasil
Foi pelo rosa que a campanha de prevenção contra o câncer de mama surgiu no Brasil. Em outubro de 2002, o Mausoléu do Soldado Constitucionalista, também conhecido como Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, foi iluminado de rosa. A partir desse ano, a iniciativa de iluminar prédios foi se espalhando pelo Brasil.
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Em 2010, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) aderiu oficialmente à campanha com ações diversas para a conscientização sobre a doença. Foram produzidos cartazes, cartilhas, folders e diversas peças gráficas com dados sobre o câncer de mama, recomendações sobre mamografias e orientações para identificar alterações nas mamas com auxílio do autoexame.
Principais sinais e sintomas para detecção do câncer de mama
Para detectar o câncer de mama logo no início do desenvolvimento da doença, é preciso observar o próprio corpo para sinais e sintomas.
- Endurecimento da mama;
- Protuberância no seio;
- Sulcos;
- Veia crescente;
- Erosão na pele da mama;
- Afundamento do mamilo;
- Vermelhidão ou ardor no seio;
- Presença de fluido ou secreção desconhecida;
- Mama com aparência de casca de laranja;
- Buracos na pele;
- Nódulos internos;
- Assimetria dos seios. Lembrando que os seis são diferentes entre si, a assimetria que pode ser um sinal de câncer de mama corresponde a algo que foge à normalidade particular de cada mama.
Apesar do câncer de mama ser mais frequente em mulheres cisgênero, cerca de 1% de homens cis também podem desenvolver a doença. Por isso, o acompanhamento diário é importante para todas as pessoas. Caso algo pareça diferente do comum, é importante buscar rapidamente uma avaliação médica. No caso de mulheres de 50 a 69, pessoas que possuem histórico familiar da doença ou mutação genética nos genes BRCA1 e BRCA2, a recomendação é realizar uma mamografia a cada dois anos.
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Câncer de mama em mulheres e homens trans
No caso da população transgênero e transexual, a taxa de câncer de mama é baixa. Mesmo assim, alguns cenários podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença. A presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia da regional de Minas Gerais, Annamaria Massahud, resgata alguns dados importantes em um artigo publicado no jornal Estado de S. Paulo. No texto, Massahud cita um estudo que identificou um risco maior para desenvolvimento de câncer de mama em mulheres trans após uma média de 18 de tratamento hormonal.
A pesquisa foi publicada em 2019 pela University Medical Center de Amsterdam, na Holanda, e também indica que o risco de câncer de mama em homens trans é menor, principalmente quando a cirurgia mamária já foi realizada. Porém, é importante que aqueles que tenham alto risco de câncer de mama, seja por histórico familiar ou mutação em genes, mantenham acompanhamento médico regular.
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