O Senado Federal aprovou a regulamentação da reforma tributária na tarde desta quinta-feira (12) por 49 votos a 19. O texto define regras para o novo formato de impostos sobre produtos e serviços que terá implantação gradual até 2033. Como houve mudanças em relação ao texto aprovado na Câmara dos Deputados, a proposta agora retorna à Câmara para obter novo aval dos deputados.

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O modelo transforma os atuais impostos PIS, Cofins e IPI, de atribuição federal, ICMS, ligado aos estados, e ISS, de incumbência municipal, em um sistema único de impostos chamado de Imposto de Valor Agregado (IVA). Essa cobrança se dividiria entre três impostos: a Contribuição de Bens e Serviços (CBS), que substituirá os impostos federais, e o Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS), que será dividido entre estados e municípios. Além desses dois tributos, havia ainda o Imposto Seletivo, ou “imposto do pecado”, aplicado sobre produtos que oferecem riscos à saúde como cigarros e bebidas alcoólicas.

Algumas mudanças no texto da regulamentação da reforma tributária foram feitas ainda na quarta-feira, pelo relator do processo na CCJ, o senador Eduardo Braga (MDB-AM). Uma das principais mudanças foi a retirada de armas e munições da lista de produtos sujeitos ao “imposto do pecado”. Os armamentos haviam sido incluídos no rol de itens sujeitos à essa tributação extra quando a proposta passou a ser discutida no Senado, mas após pressão de parlamentares o texto final retirou as armas do Imposto Seletivo.

Na sessão desta quinta-feira, a manutenção ou não das armas no “imposto do pecado” foi votada de forma separada, logo após a aprovação do texto principal. O resultado foi 33 votos a favor do retorno das armas à lista de produtos sujeitos ao Imposto Seletivo contra 32 contrários, além de uma abstenção. Como a emenda precisava de maioria qualificada com no mínimo 41 votos para ser aprovada, por se tratar de uma lei complementar, as armas continuarão de fora do “imposto do pecado”.

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Defensores da inclusão das armas no Imposto Seletivo como o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) sustentaram que a retirada das armas deste grupo resultaria em uma redução da carga tributária sobre armas em relação ao que ocorre atualmente, mas os argumentos não convenceram o número necessário de parlamentares.

Outras emendas também ainda precisam ser votadas de forma separada, nos chamados “destaques” feito pelos parlamentares para votar sugestões adicionais de mudanças no texto. É o caso da incidência dos novos impostos sobre passagens aéreas internacionais, que também foi votada de forma separada após a aprovação do texto-base.

Como votaram os catarinenses

A votação da regulamentação da reforma tributária teve o voto de dois dos três senadores catarinenses. Esperidião Amin (PP) e Ivete da Silveira (MDB) votaram a favor da regulamentação da reforma tributária. O senador Jorge Seif (PL) votou contra.

No caso da emenda sobre a cobrança ou não do “imposto do pecado” sobre armas e munições, apenas a senadora Ivete da Silveira foi favorável. Os senadores Esperidião Amin e Jorge Seif votaram contra a emenda, mantendo esses equipamentos de fora da lista dos itens sujeitos ao Imposto Seletivo.

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Outras mudanças na reforma tributária

Outra mudança feita no texto foi a definição de que o primeiro ano de implementação da reforma tributária, em 2026, não deverá haver recolhimento dos novos impostos. O texto prevê uma implantação gradual ano a ano, até 2033.

Outras definições já haviam sido feitas no relatório final do projeto e foram mantidas. É o caso do direito a “cashback” para contas de luz, que será possível a famílias incluídas no cadastro nacional de assistência social, o CadÚnico. A isenção de impostos sobre proteínas como carnes, frangos, peixes e ovos foi outra definição feita na discussão do projeto no Senado.

Uma redução nos impostos sobre remédios, que pagarão apenas 40% da alíquota-base do novo imposto, também foi aprovada pelo Senado. A isenção de impostos na compra de carros para pessoas com deficiência (PCD) também teve o teto alterado. Após a reforma, esse público terá direito a descontos em veículos de até R$ 200 mil — atualmente o limite é R$ 120 mil.

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