Com o Aeroporto Internacional Salgado Filho fechado em Porto Alegre por causa da chuva extrema, Santa Catarina deu suporte no transporte de medula óssea para um transplante a ser realizado em um hospital gaúcho. A doação, feita no Canadá, chegou em um voo comercial no Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, e na sequência foi encaminhada para a Base Aérea de Canoas por uma aeronave do Estado de Santa Catarina. De lá, seguiu em um helicóptero dos bombeiros catarinenses que socorrem vítimas das enchentes, até o destino final.

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— Foi um processo delicado, o qual passou inicialmente pela etapa nacional em busca de um doador compatível. Como não foi encontrado no nosso país, houve a captação internacional e agora o transplante será realizado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre — explicou o médico Joel de Andrade, coordenador da Central de Transplantes Santa Catarina.

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O médico afirmou ainda que as células foram trazidas em duas bolsas, como se fosse sangue, e que o tempo é importante, pois não pode haver congelamento. O transplante foi na modalidade alogênico, quando as células-tronco são coletadas do doador. Um profissional de saúde do Brasil acompanhou o processo desde o Canadá.

Ao chegar no Aeroporto Internacional Hercílio Luz, às 13h40, a medula foi transportada no carro da SC Transplantes até o hangar dos bombeiros militares. A aeronave da Secretaria de Estado da Saúde, o Arcanjo 04, responsável por voar até o Rio Grande do Sul, já aguardava.

O tempo em solo catarinense foi curto: às 14h23, o Arcanjo manobrava para, em seguida, ganhar altura. Às 17h15min, a medula óssea que cruzou o Atlântico, estava em território gaúcho. Mais uma prova do empenho em salvar vidas.

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— Toda essa mobilização é um exemplo de solidariedade. Com certeza a pessoa que espera pela medula óssea vai ser transplantada e a gente torce para que tudo corra de acordo com o previsto — disse o médico.

Presente no Hangar da Polícia Militar e onde foi feito o embarque da medula, o governador Jorginho Mello (PL) fez um balanço da presença das formações militares catarinenses no Rio Grande do Sul. Jorginho disse que tem conversado com o governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB) e realinhado demandas.

— Vamos enviar pessoal do Planejamento, pois eles [os gaúchos] perderam tudo. Assim como da Polícia Técnica, que certamente irá encontrar uma situação difícil, à medida que a água baixar em algumas cidades — disse o governador.

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De acordo com a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, subiu para 90 o número de mortos em razão dos temporais. O boletim divulgado nesta terça-feira (7) aponta que há outros quatro óbitos sendo investigados. O Estado registra 131 desaparecidos e 362 feridos.

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