Cinco escolas brasileiras sofreram algum tipo de violência de setembro de 2022 a abril deste ano. Uma delas de Blumenau, Santa Catarina, há pouco mais de um mês. A escalada de casos preocupa especialistas e foi um dos temas da Bett Brasil, maior evento de educação e tecnologia da América Latina.
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A professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos nomes mais relevantes no assunto, Telma Vinha, destacou a importância do diálogo, da escuta e da saúde mental dentro dos espaços de ensino, sobretudo no cenário atual.
Vinha coordenou uma pesquisa da Unicamp que mostra que, desde 2002, foram listados 22 episódios planejados por alunos ou ex-alunos em escolas públicas e particulares. Mais da metade dos casos aconteceu somente nos últimos dois anos.
O levantamento também descreve um padrão nos autores dos ataques. São meninos ou homens, de 10 a 25 anos, quase sempre brancos, atraídos por discursos de ódio e racismo em grupos da internet.
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— Essas pessoas buscam pertencimento, então, como não têm esse protagonismo em outros ambientes, acabam entrando em grupos extremistas que funcionam de forma on-line. Nestas comunidades, eles são valorizados e ouvidos — explica.
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De acordo com Vinha, existem alguns fatores que ajudam a explicar esses casos. Entre eles, estão o alcance de discursos de ódio, o estímulo à violência por parte da família e de grupos de amigos, o aumento da vulnerabilidade social e o impacto da pandemia na saúde mental. Telma também destaca a perseguição sofrida pelas escolas nos últimos anos:
— Isso fez com que as escolas se recolhessem, não discutissem essas questões com os seus alunos. Muitas escolas em situações de alta tensão não falavam nada por medo.
Para combater o problema, segundo a pesquisadora, o Brasil deve criar políticas públicas sólidas, seguindo exemplos de países como Espanha, Colômbia e Chile. Um avanço que precisa ocorrer em toda a rede de ensino, de forma integrada.
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— Essas políticas envolvem não apenas a formação dos professores, para que eles saibam identificar e lidar com os problemas, mas também ajudam na transformação da cultura da escola.
Evento debate inteligência artificial e saúde mental nas escolas
Vinha também destaca que a segurança nas escolas deve ocorrer fora das unidades, não dentro: “as escolas que não têm policiais e têm estratégias mais empáticas conseguem lidar com isso muito melhor”.
Telma Vinha palestrou para educadores, secretários de educação de todo o país e demais autoridades do setor. A secretária-adjunta da Educação de Santa Catarina, Patrícia Lueders, também acompanhou a discussão.
— É uma cultura nova de cuidado que a escola já desenvolvia e precisa intensificar. É trazer a família cada vez mais próxima da escola. Mas nenhuma ação individual será resolutiva, é preciso agir em conjunto, de maneira intersetorial — destaca.
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Desinformação e redes sociais
O jornalista e copresidente da aliança internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em educação midiática, Alexandre Sayad, afirma que um ambiente de desinformação gera insegurança.
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— O acesso descontrolado às redes sociais faz parte de um sistema que pode ser perigoso. A desinformação alimenta o medo, mas as redes sociais, se não pensadas de uma forma inteligente, também são um ambiente propício ao desenvolvimento de violência no mundo físico.
Bett Brasil 2023
A 28ª edição da Bett Brasil, maior evento de educação e tecnologia da América Latina, ocorreu entre os dias 09 e 12 de maio, no Transamerica Expo Center, em São Paulo.
Com cerca de 30 mil visitantes, o encontro contou com mais de 300 palestrantes e todos os 27 secretários estaduais de educação do país.
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A programação, distribuída em nove auditórios simultâneos, trouxe diversos temas, desde o impacto do uso de inteligência artificial na educação até a saúde mental dos alunos.
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