Dois dos oitos homens presos em Santa Catarina no início desta semana por suspeita de participar do encontro de uma célula neonazista interestadual já tiveram envolvimento com crimes contra a vida ligados a preconceito e à disputa de poder entre lideranças que seguem a mesma ideologia, de acordo com a Polícia Civil. Laureano Vieira Toscani é gaúcho e analista de TI, enquanto João Guilherme Correa é natural do Paraná. As informações são do g1 SC.

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De acordo com a Polícia Civil, Laureano foi condenado por tentativa de homicídio após atacar um grupo de judeus em Porto Alegre, em 2005. Ele, que também é réu pela tentativa de homicídio de um segurança negro em 2009, cumpre pena em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica.

Já João é acusado de participar da morte de um casal em 2009, na região metropolitana de Curitiba.

Suspeitos detidos em encontro neonazista seguirão presos, decide Justiça

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Os dois foram presos nas segunda-feira (14) durante uma operação da Polícia Civil em São Pedro de Alcântara. Na ocasião, Toscani usava a tornozeleira eletrônica.

Além dos dois, outras seis pessoas foram presas em um sítio no interior da cidade: três gaúchos, um mineiro, um catarinense e um português, que vive no Brasil. No local, ocorria uma reunião anual da célula neonazista. Os nomes deles, no entanto, não foram divulgados.

Conforme o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o grupo atua com uma forte exaltação à ideologia fascista e apologia ao nazismo. Todos os oito seguem presos e respondem por associação criminosa e racismo.

Ainda segundo as investigações, o grupo escolheu o município catarinense por ser a primeira colônia alemã do Estado, instalada em 1829. No local, foram encontradas revistas, panfletos e outros objetos com símbolos de grupos supremacistas.

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Laureano Vieira Toscani

Analista de TI, Laureano Vieira Toscani tem quase duas décadas de atividade extremista, segundo a Polícia Civil. Ele foi condenado a 13 anos prisão em regime fechado após espancar, junto com outras pessoas, três pessoas que usavam quipás — pequeno chapéu usado por judeus — em Porto Alegre.

Já em 2009 ele foi preso por outra tentativa de homicídio motivada por racismo. Isto porque ele fazia parte de um grupo que esfaqueou um segurança negro. O caso ainda não foi julgado.

Ao g1, o advogado de defesa Jabs Paim Bandeira alega que Laurentino foi preso por engano na ocasião, durante a confusão entre os outros envolvidos e o segurança.

João Guilherme Correa

João Guilherme Correa foi denunciado pelo duplo homicídio de um casal por conta de uma disputa entre lideranças de células neonazistas no Paraná. O caso, no entanto, ainda não foi julgado. O g1 tentou contato com a defesa dele, mas não obteve retorno.

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