O corte de 1 ponto percentual na taxa básica de juro (Selic), para 12,75% ao ano, terá efeitos sobre toda a economia nacional. Porém, segundo os economistas ouvidos nesta quarta-feira pela Agência Brasil, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central causará principalmente o aumento da confiança do mercado sobre os rumos do Brasil frente à crise mundial.
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Confira gráfico:

– A redução da Selic dá um alento para a economia e mostra que o Banco Central está agindo – disse Carlos Roberto de Castro, ex-presidente no Conselho Federal de Economia.
Apesar de considerar que a redução poderia ter sido ainda maior, de até 1,25 ponto percentual, Castro admitiu que o corte da Selic anunciado há pouco trará benefícios.
– É uma luz no fim do túnel para a atividade econômica, que já terá seu crescimento comprometido neste ano – afirmou, citando dados de redução da produção industrial.
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Entenda como é calculada a taxa Selic:

Ele afirmou ainda que a decisão do Copom também afetará a disponibilidade de crédito no país. Segundo Castro, a crise internacional trouxe temor a bancos e investidores, e a atitude do Copom alivia essa “tensão”.
– A queda não vai causar uma redução imediata dos juros bancários, mas já dá mais confiança para que bancos voltem a emprestar – disse Castro.
O professor da Faculdade de Administração e Economia da Universidade de São Paulo (USP), Heron do Carmo, também acredita nos efeitos positivos da queda da Selic sobre a confiança do mercado nacional como um todo.
Ele explicou que a Selic é como um “piso dos juros” no país, já que é estabelecida pelas taxas que o governo paga na venda de títulos da dívida pública.
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Se o governo paga menos juros, a tendência é que títulos emitidos por bancos também tenham juros menores. Isso diminui o juros dos empréstimos e cria um ambiente mais favorável a investimentos.
– Os juros dos empréstimos para empresas tendem a cair num longo prazo – afirmou Heron do Carmo.
– O governo também passa a gastar menos com os juros da dívida pública, já que a Selic corrige boa parte dessa dívida – completou.
Heron do Carmo afirmou ainda que espera novas quedas até o final do ano. Segundo ele, a Selic deve encerrar 2009 em, pelo menos, 9,75% ao ano.
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