Aos 42 anos, Juciane Crispim Galvão percebeu em seu corpo um dos primeiros sinais do câncer de mama: o bico do seio afundando ao levantar o braço. Ela fez a mamografia, mas como o exame detectou uma alteração inconclusiva, resolveu deixar para lá. Quase um ano depois, voltou a investigar e por meio de um ultrassom, descobriu que tinha câncer.
Continua depois da publicidade
Clique aqui para receber as notícias do NSC Total pelo Canal do WhatsApp
Com o diagnóstico, ela conta que o mundo dela caiu. No entanto, para Juci e outras mulheres, a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Palhoça foi um alento em meio ao tratamento, já que o local oferece apoio tanto psicológico quanto emocional desde 2023.
Com o suporte financeiro de voluntárias e da própria diretoria, a rede foi criada com o propósito de acolher e escutar mulheres vítimas de câncer, sem julgamentos. É o que diz a presidente da rede, Simone Aparecida Schneider da Silva, que conta que o atendimento é feito nos mínimos detalhes, através de doações, com um momento de escuta para essas mulheres.
— A gente está aqui para escutar. Atendemos elas com o voluntariado, todas preparam um café delicioso para elas, com frutas, com bolinhos integrais, com doações. Cada voluntária que vem, prepara ou traz alguma coisa de casa para montar uma mesa — explica.
Continua depois da publicidade
A rede conta com ginecologista, que realiza o exame preventivo e consultas, e duas psicólogas, além de uma terapeuta e advogados, que atendem tanto a vítima de câncer, quanto os familiares da mulher. O atendimento funciona todos os dias, com diferentes atividades.
— Não atendemos só a paciente, é tudo um contexto. A família, quando descobre, assim como a paciente quando fica doente, também fica desestruturada, então, às vezes, é atendido um filho, um marido — diz.
O próximo apoio médico que a rede quer oferecer é o de mastologista, para orientação e ajuda nos exames que detectam o câncer e muitas vezes demoram para serem feitos na rede pública de saúde.
Além dos atendimentos relacionados à saúde, também há atividades recreativas, como cursos de crochê, bordados e rodas de conversa. Também são oferecidas cestas básicas às famílias.
Continua depois da publicidade
Simone conta que as mulheres vão até a rede de apoio por meio de amigas, indicações, redes sociais ou por uma abordagem direta da própria rede.
Foi assim que Juciane encontrou a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Palhoça: conversando com uma colega da Maternidade Carmela Dutra, em Florianópolis, onde ela faz o tratamento.
— Ela me contou sobre a rede de apoio e eu só fui — lembra.
O diagnóstico
Atualmente, Juci está em remissão do câncer, com acompanhamento a cada seis meses. No entanto, os últimos oito anos não foram fáceis.
Tudo começou quando o marido achou estranho o movimento do bico do seio da esposa quando ela levantava o braço. Preocupada, ela resolveu ir até o médico e fez uma mamografia. No resultado, o BI-Rads apontou para 0, o que indica que as imagens obtidas no exame não são suficientes para um diagnóstico.
Continua depois da publicidade
O BI-Rads é uma classificação padronizada para resultados de exames de imagem das mamas. Quando o resultado é igual ao de Juciane, o ideal é que se investigue a fundo, com outros exames. Ela, no entanto, acreditava que “zero” não significava nada, e deixou para lá.
Depois de quase um ano, já em 2018, ela pegou férias do local em que trabalhava, em uma cozinha industrial. Com mais tempo livre, resolveu fazer o exame preventivo e aproveitou a oportunidade para falar com uma enfermeira sobre o seio. A profissional, então, pediu um ultrassom.
Na mesma semana, Juciane recebeu o resultado: “procurar um mastologista urgente”. A frase a assustou. Ela imediatamente voltou ao posto de saúde para mostrar o exame à enfermeira, que marcou a consulta e pediu outra mamografia.
Nervosa com a situação, Juciane não conseguiu aguardar o atendimento pelo posto de saúde e foi até a Maternidade Carmela Dutra. Na recepção, disse à atendente que possuía um caroço na mama e 15 minutos depois foi examinada. A residente a examinou e chamou o médico responsável, que confirmou a presença de um nódulo e pediu mais um ultrassom.
Continua depois da publicidade
O resultado nem foi mostrado para ela, segundo Juciane. De cara, uma nova consulta foi marcada com o mastologista, que pediu uma biopsia. A resposta foi muito clara: carcinoma maligno grau 3 positivo. Ela, que estava sozinha quando recebeu o resultado, entrou em desespero.
— A gente fica sem chão. Achamos que isso nunca vai acontecer na nossa família… nós somos em nove irmãos, quatro homens e cinco mulheres, e nunca teve nenhum caso de câncer na família. Eu tenho dois filhos e a minha preocupação era como contar para eles, como eles iriam reagir — lembra.
Apesar da notícia devastadora, Juciane agiu rápido. Dois meses depois, fez a cirurgia para a retirada do nódulo e, no procedimento, foi constatado que o câncer havia se alastrado para o braço.
Com isso, ela teve que fazer outro procedimento, de esvaziamento axilar, quando são removidos linfonodos da axila para tratar o câncer de mama. Todos os procedimentos foram feitos no Hospital Carmela Dutra, mas a parte mais difícil ainda estava por vir: a quimioterapia e a radioterapia.
Continua depois da publicidade
Juciane foi encaminhada para o Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon) e lá realizou 12 sessões de quimioterapia, sendo quatro da vermelha, que causa efeitos colaterais como queda de cabelo, e outras oito brancas. Além disso, foram 30 sessões de radioterapia.
Impacto no trabalho
Juciane trabalhou por 18 anos em um restaurante industrial. Porém, por uma sequela do procedimento de esvaziamento axilar, que causa inchaço no braço e risco de trombose, ela precisou se afastar do local.
— Como na cozinha requer muito esforço, contato com quentura, e eu não posso ficar muito tempo com o braço no quente, no momento eu estou em perícia por tempo indeterminado — conta.
Relação com a rede feminina
Hoje, Juciane faz parte das 123 mulheres que frequentam a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Palhoça pelo menos uma vez na semana. Lá, ela já sente o acolhimento logo na entrada.
Continua depois da publicidade
— Na hora que a gente entra, a recepção deles já é muito boa. O apoio que eles dão é muito importante, é muito gratificante estar na rede feminina — pontua.
Câncer de mama em Santa Catarina
Segundo o Governo de Santa Catarina, o câncer de mama, assim como o câncer de próstata, está entre os mais frequentes no Estado. De janeiro de 2023 até setembro de 2024, foram registradas 1.416 mortes pela neoplasia em Santa Catarina, segundo dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM).
Os principais sintomas do câncer de mama são caroço, que normalmente são endurecidos e indolores, pele avermelhada na mama ou com aspecto de casca de laranja, e alterações no bico de peito, assim como Juciane teve.
Nos mamilos, também pode haver saída de líquido. A paciente pode, ainda, sentir nódulos no pescoço ou nas axilas.
Continua depois da publicidade
Leia também
Aumento de casos de câncer de mama em mulheres abaixo de 40 anos gera alerta em SC
Veja as formas de diagnóstico e tratamento do câncer de mama