Erasmo João Antunes é um privilegiado. Não apenas por ter passado dos 100 anos e preservar boa saúde para uma pessoa tão longeva, mas também por receber em vida uma homenagem que grafou seu nome numa obra feita para facilitar o cotidiano dos moradores do Sul da Ilha. Assim como da cidade onde nasceu, em agosto de 1923, numa casa no Alto Ribeirão, à época uma pequena comunidade distante do
Centro da cidade.

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— Eu sou o Erasmo do Trevo — acostumou-se a dizer ao se apresentar a alguém.

Erasmo festejou 100 anos em agosto de 2023. Ele se casou duas vezes e teve oito filhos. Sempre creditou sua sobrevivência aos cuidados da mãe, já que desde pequeno sofria de bronquite asmática e passou por várias internações no Hospital de Caridade. Os acessos de tosse também foram abrandados pelos chás de ervas das benzedeiras.

Por causa da saúde delicada, Erasmo foi poupado do trabalho na roça. Com 10 anos, o pai decidiu abrir uma porta e vender algumas mercadorias. Daria ao menino a oportunidade de entrar em contato com o público, algo que sempre gostou e que resultaria numa trajetória de décadas.

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Veja fotos de Erasmo do Trevo

Comércio reconhecido na região

Dono de uma carroça e dois cavalos, marcou seu cotidiano em busca de produtos entre o Sul e o Centro da cidade. Sem perder a essência da atividade: servir aos moradores. Se inicialmente usava tração animal, aos poucos foi se adaptando às exigências: teve uma camionete e uma Kombi, com a qual passou a viajar para São Paulo, de onde trazia até tecidos, um diferencial entre os concorrentes próximos.

Em 1942, começou a pagar o Instituto de Aposentados e Pensionistas de Transportes de Cargas (IAPETEC) e, devido à bronquite insistente, se aposentou em 1952. Para pagar o IAPETEC era necessário ser proprietário ou trabalhar com transporte de cargas.


Mas a relação de Erasmo com a região se intensificou em 1950, quando ele alugou uma casa comercial no trevo do Ribeirão. No local funcionava o comércio de Isac Tavares da Costa. Foram 10 anos de aluguel
até comprar a propriedade, fazer obras e o local funcionar como comércio e moradia.

Na década de 1970, a estrada foi alargada para o asfaltamento e o ponto comercial ficou mais próximo. Erasmo, filho de João Francisco Antunes, ou Doca Antunes como era conhecido, e de Maria José Antunes, tornou-se um comerciante muito conhecido na região sul da Ilha. Os filhos seguem até hoje com pontos comerciais próximos ao trevo em homenagem ao pai.

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Enquanto isso, Erasmo caminha para os 101 anos na cidade que viu crescer e que neste 23 de março
comemora os seus 351 anos.

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