O sorriso de Bárbara Azevedo Machado, 26 anos, está mais leve. Formada em Odontologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ela começa a organizar a mala para uma viagem que resulta de muita dedicação nos estudos. A manezinha conseguiu o feito de ingressar no Programa de PhD em Biologia Oral na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos.

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Em julho, ela embarca para um período de estudos de quatro anos. Foram 100 inscritos, de diferentes países, sendo que 23 passaram para a segunda etapa. Desses, sete chegaram à última fase para disputa de uma única vaga, a qual foi conquistada pela florianopolitana.

Bárbara ingressou na UFSC em 2017. Se por um lado vivia a descoberta do ambiente universitário, na terceira fase precisou de coragem para vencer o luto da perda da mãe, em consequência de câncer na mama. Apoiada pelo pai, o administrador aposentado Luiz Mário Machado, seguiu em frente. Envolveu-se em projetos de extensão, estágios no Hospital Universitário, liga acadêmica e atividades de iniciação científica. Foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o que segundo ela foi um diferencial no currículo.

— Eu tive a oportunidade de participar de diversos congressos no Brasil, apresentando trabalhos que, posteriormente, foram publicados até em revistas internacionais de grande prestígio. Um desses projetos de iniciação científica foi na área da pediatria e o outro na área da patologia bucal. Acredito que tudo isso contou pontos a meu favor — explica.

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Bolsa integral, emprego e salário

A jovem dentista conta que além da avaliação do currículo, o candidato passa por uma avaliação pessoal, considerando se fez projeto voluntário, estágios, pesquisas, quais são as notas, como é o desempenho no inglês. Na entrevista, buscam saber se a pessoa tem características de liderança. Outra coisa com bastante peso são as cartas de recomendação, as quais são escritas por professores do Brasil que tiveram um contato próximo.

— Todas as minhas cartas foram de professores da UFSC, que tiveram contato próximo comigo na iniciação científica. Também de um professor que me auxiliou num projeto de extensão, e que certamente destacaram minha dedicação ao longo do curso.

Bárbara conta que se inscreveu para vários processos de pós-graduação nos Estados Unidos. Uma disputa concorrida, pois precisava de uma bolsa e não teria condições de pagar. Além da bolsa que custeará 100% dos estudos, ela foi contemplada com um salário para trabalhar num laboratório de pesquisa.

— A minha área de estudo vai ser biologia oral, um estudo da fisiologia, da patologia, dos tecidos e das células da cavidade oral. A gente estuda muitas doenças, mas eu vou focar na parte das doenças, principalmente no câncer de boca, que é algo que eu já me dediquei a pesquisar na graduação — conta.

Nos Estados Unidos, observa Bárbara, a doença não é tão comum quanto no Brasil. Mas ela vê uma possibilidade de compensação.

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— Eu penso que esse meu estudo seja uma recompensa para o meu país de origem, o qual me permitiu chegar tão longe. Também imagino um retorno para a nossa sociedade e para a UFSC, instituição pública da qual tenho muito orgulho de ter frequentado — diz.

Apaixonada pelo que faz, Bárbara criou o perfil @odontonaciencia, dedicado a falar sobre sua pesquisa. Com mais de mil seguidores, ela abriu uma vaga de mentoria gratuita para ajudar estudantes com interesse em também estudar nos Estados Unidos. Uma seleção está sendo feita e ainda é possível se inscrever.

TCC sobre escovação em crianças com autismo

Em 2022, quando defendeu o Trabalho de Conclusão de Curso sobre patologia bucal, Bárbara recebeu muitos elogios pela qualidade apresentada que sugeria uma dissertação de mestrado.

— Os meus professores me apoiaram muito em continuar seguindo a carreira na área acadêmica. Prestei um processo seletivo para a Unicamp, onde passei e iniciei os meus estudos em Campinas. Naquele momento, eu não sabia se conseguiria ser aprovada para uma universidade dos Estados Unidos. Uma coisa tenho certeza: a universidade pública federal fez todo o diferencial para eu conseguir ser aprovada num processo tão concorrido fora do nosso país e que inclui também candidatos dos Estados Unidos — diz.

O projeto na odontopediatria foi pensado um pouco antes da pandemia. Porém, não conseguiu executar como pretendia devido ao impacto daquele período. Precisou mudar um pouco a metodologia e desenvolveu um questionário para crianças com o transtorno do espectro autista, enviando links para entidades que acolhiam as famílias. As perguntas versavam sobre alimentação e escovação durante a Covid.

Foi constatado o medo das crianças no atendimento (devido ao uso dos EPIS, como máscara, óculos, face Shield, capote). Além disso, o estudo apontou que o isolamento social levou a maioria das crianças a aumentar o consumo de doces e redução da escovação, especialmente em famílias de baixa renda.

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