Quem gosta dos cerca de 90 blocos de Floripa sabe que não faltam ambiente alegre, multicolorido e referências da cultura local. Um dos mais antigos a reunir foliões é Os Sujos e entre os mais novos está o Ponte que Partiu. Festa democrática como é, há Carnaval em Florianópolis para todos os gostos.

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O bloco que jreúne todas as bandeiras e cores das agremiações, o Berbigão do Boca, é o maior e mais original, e o que abre a folia na Ilha da Magia, conforme determinado por decreto municipal. O BeBo, como se abrevia, traz a iguaria apreciada pelo manezinho, o berbigão, e o apelido de um dos mais populares foliões, Paulo Abraham, o Boca.

Patrimônio imaterial de Florianópolis, o cortejo do Berbigão do Boca sai sempre na sexta-feira anterior à semana do Carnaval. Neste ano, a festa será dia 2 de fevereiro. Fundado em 1992 para animar a folia da Ilha, que estava em queda devido à transferência dos desfiles das escolas de samba para a nova passarela do samba (Nego Quirido), o bloco surgiu da inspiração no Bacalhau do Batata, em Olinda.

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Foi Boca, também, quem teve a ideia de homenagear os amigos do samba já falecidos com bonecos gigantes. No desfile deste ano, Mestre Rato, que comandou diversas baterias e morreu em setembro do ano passado, estará com mais 41 alegorias presentes no cortejo pelas ruas do Centro.

Marisco, Sirizinha e Baiacu

Marisco, Sirizinha e Baiacu são outras iguarias que seguem inspirando. O Marisco da Maria, conhecido por oferecer centenas de quilos de mariscos para seus foliões na concentração localizada próxima ao Mercado Público, carrega nas camisetas as cores das escolas de samba de Florianópolis.

O Marisco sai na noite de sexta-feira na Praça XV. Já o Bloco da Sirizinha, que nasceu no bairro Coqueiros, no Continente, não atravessa a ponte: prefere brincar na comunidade.

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Outro que retirou seu nome do mar é o Baiacu de Alguém. A história conta que em 1992, quando alguns amigos do Bairro Santo Antônio de Lisboa decidiram montar um bloco, lembraram dos já famosos Berbigão do Boca, da Ilha; e do pernambucano Bacalhau do Batata. Veio a pergunta: o nosso, vai ser baiacu de quem? A resposta veio logo: É o Baiacu de Alguém!

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Nos primeiros anos, o bloco desfilava no Centro e priorizou uma camiseta verde-mar para se destacar entre os milhares de foliões. Atualmente, o Baiacu de Alguém fica em águas mais calmas, no Bairro Santo Antônio de Lisboa, e faz seu desfile no sábado, 10 de fevereiro.

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Vento, Limão, SOS e Onodi

Para quem gosta de brincar sem sair do lugar, o endereço é o Vento Encanado. Desde 2010, a entidade que surgiu para desfilar na Avenida Hercílio Luz (um corredor por onde o vento “encana”), concentra-se na sexta-feira à noite na rua Padre Miguelinho, ao lado da Catedral Metropolitana, e por ali fica.

Já não é o caso do Batuqueiros do Limão, surgido em fevereiro de 1969 e que desde então vem para o Centro. Um dos blocos mais antigos da cidade nasceu na Rua Belizário Berto Silveira e mantém o espírito comunitário: a maioria dos componentes são de famílias do bairro e tem em Marquinho do Cavaco, manezinho muito conceituado no samba, um dos pilares. O músico é filho do Vadicão, fundador do Batuqueiros, e não renuncia à tradição: o bloco sai em todos os dias do Carnaval.

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Mais um bloco que faz a alegria da cidade: o SOS. A agremiação, que surgiu em 1960 determinada a enterrar a tristeza, capricha nas alegorias: tem caixão, defunto, viúva. Formado por trabalhadores da área da saúde, simboliza a morte das mágoas, das tristezas e das dores de quem no dia a dia trabalha para ajudar a curar pessoas. O cortejo do Enterro da Tristeza sai na quinta-feira, 8 de fevereiro.

No dicionário manezês, ô no di! Significa “eu não dei”. Ninguém sabe como a expressão surgiu, mas Onodi é um dos blocos mais concorridos do Carnaval ilhéu. As ruas do Campeche, no sul da Ilha, são tomadas pela irreverência do bloco que sai sempre aos domingos pelas ruas da comunidade.

Ponte que partiu e o Pauta que pariu

No Carnaval 2020, antes da pandemia do coronavírus assombrar o planeta, surgiu o bloco Ponte Que Pariu. Da união do festival Arvo e da Casa de Noca, pretendia-se fomentar o Carnaval de rua misturando fanfarras, bandas, blocos, DJs. Neste ano, a concentração está marcada para às 8h, na cabeceira insular da Ponte Hercílio Luz, já no sábado, 3 de fevereiro.

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Já em 10 de fevereiro será a vez dos foliões do Pauta Que Pariu fazer sua festa. O bloco formado nos anos 1990 por profissionais da imprensa é daqueles que concentra, mas não sai. O ponto de encontro do pessoal, que neste ano celebra com camisetas em rosa “Toda forma de amor vale a pena”, será a partir do meio-dia na Escadaria do Rosário. O nome Pauta Que Pariu faz trocadilho com a obrigação de escrever ou falar sobre um assunto que nem sempre agrada o repórter.

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Uma coisa que também é típica do Carnaval da Ilha é Os Sujos. Trata-se da junção de blocos e grupos de amigos que se concentram principalmente no entorno da Praça XV, no sábado, 10 de fevereiro. Os homens se vestem de mulher. Já as mulheres não deixam de exercitar seus direitos: brincam do jeito que quiserem.

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