Vídeos que circulam nas redes sociais afirmam que um puma teria atacado ovelhas em uma fazenda de São João do Itaperiú, pequena cidade do Norte de Santa Catarina, em dezembro de 2024. Porém, vários desses vídeos são falsos. Além disso, não há imagens que comprovem se realmente foi um puma que praticou o ataque. A Polícia Militar Ambiental (PMA) esclarece a situação e tranquiliza a população.
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Ainda no ano passado, em 17 de dezembro, imagens registraram o resultado de um possível ataque por um puma em São João do Itaperiú. Entretanto, ataques como este são raros na região, o que chamou a atenção da população.
O puma, também conhecido como onça-parda, é o segundo maior felino do Brasil, atrás apenas da onça-pintada. As onças são animais silvestres que podem caçar tanto de dia quanto de noite. Além disso, estão distribuídas em quase todo o território nacional, segundo a PMA.
Conheça a espécie:
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Ao ser questionada sobre o suposto ataque de um puma que estaria “aterrorizando” a região, a PMA fez um levantamento e esclareceu o caso. De acordo com os agentes, após contato com todos os envolvidos e a análise das imagens, foi concluído que não há como afirmar se realmente foi um puma o responsável pelo ataque.
O que é verdadeiro sobre este caso
Em levantamento das imagens que circulam nas redes sociais, a PMA afirma que apenas um vídeo e uma foto são verdadeiros. Ambas foram confirmadas como autênticas pelo proprietário dos animais.
Entretanto, nem a foto ou o vídeo registram o momento de um ataque do puma contra as ovelhas. Também não há elementos que confirmem com precisão qual seria o possível animal.
Diante destes fatos, por questão de responsabilidade, não se pode afirmar que um puma atacou os animais na propriedade apenas com base nas imagens, de acordo com a PMA.
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O que pode ser afirmado é que o incidente aconteceu em 17 de dezembro em São João do Itaperiú, tratando-se de um caso isolado. Segundo a prefeitura do município, não há registro de ocorrências semelhantes registradas antes ou depois dessa data.
De acordo com a PMA, a situação continuará sendo monitorada. Serão instaladas armadilhas fotográficas na região para averiguar um possível novo caso no local.
Puma ou onça-parda?
Os dois nomes são corretos. Apesar do nome científico (Puma concolor), o puma também é conhecido por diversos outros nomes populares variando entre as regiões, entre eles: onça-parda, suçuarana, leão baio, lombo-preto ou onça-vermelha.
A coloração do pelo desses animais pode variar de marrom-acinzentado claro a marrom avermelhado escuro, com manchas mais claras na parte de baixo do corpo.
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O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é o órgão ambiental brasileiro responsável pelas unidades de conservação federais. De acordo com o ICMBio, tem sido cada vez
mais frequentes relatos de aparição do puma em áreas urbanas.
Isso pode ser explicado por conta da severa redução na disponibilidade do habitat devido ao crescimento urbano desordenado ou aumento das atividades humanas no meio ambiente, e diminuição das presas naturais.
Quais são as principais orientações para evitar ataques
Segundo a Polícia Militar Ambiental, é preciso seguir algumas recomendações para estabelecer uma boa convivência com este predador e evitar possíveis ataques.
Não caçar e não permitir a caça à onça, já que essa prática pode resultar em onças com limitações físicas, como dentes quebrados, que as impedem de capturar suas presas naturais, forçando-as a atacar rebanhos domésticos.
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Confira abaixo outras recomendações da Polícia Militar Ambiental:
- Conter a perda de habitat por meio da criação de áreas de conservação, ou seja, de áreas que são protegidas de desmatamento e outras perturbações;
- Recolher os animais ao anoitecer em currais, e se possível, iluminados;
- Não caçar e não permitir a caça às presas naturais das onças;
- Desfazer-se convenientemente dos corpos de animais domésticos mortos por outras causas, para impedir que sejam consumidos por felinos e que estes adquiram a tendência para seu consumo;
- Usar cercas para impedir que o gado entre na mata;
- Usar cercas elétricas ao redor de pastos usados como maternidade;
- Transferir os rebanhos que pastam em áreas baixas inundáveis para áreas mais altas para que não fiquem isolados;
- Construir reservatórios de água, sempre que possível, longe da floresta.
*Sob supervisão de Leandro Ferreira
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