O primeiro júri popular de 2025 em Blumenau foi o de José dos Santos, que matou a esposa Aline Silva da Costa, de 21 anos, por não aceitar o desejo dela de se separar. A pena imposta pelo homicídio qualificado por motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio foi de 16 anos de prisão em regime inicialmente fechado.

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O julgamento ocorreu na quarta-feira (29), no fórum da cidade, menos de um ano após o crime cometido em abril de 2024. À época, Aline tinha falado que queria o divórcio. Naquele dia, o casal entrou no quarto e o homem trancou a porta. A sogra dele, que morava na mesma casa, tentou ajudar a filha, mas foi agredida pelo genro — o que gerou mais 15 dias de prisão contra ele por conta da violência.

Com a sogra e o filho de quatro anos do lado de fora, José deu duas facadas na companheira: no peito e no pescoço. Réu confesso, foi ouvido durante a sessão. Os jurados então o consideraram culpado. O homem já estava preso desde o homicídio.

A decisão, como foi em primeira instância, é passível de recurso.

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O caso

Horas antes do ataque cruel, Aline mandou mensagem para mãe avisando sobre o desejo de romper o relacionamento de cerca de quatro anos. De acordo com Lilía, o casamento era conturbado por causa do ciúme excessivo de José.

Aline e o companheiro se conheceram no Pará, onde moravam. Lá começaram um relacionamento, apesar da diferença de 20 anos de idade. Ela engravidou e os dois passaram a viver juntos. Em um episódio, ainda no Norte do Brasil, José chegou a puxá-la pelos cabelos. Lilía diz que a família decidiu vir para Santa Catarina e a trouxe junto com o neto. O homem ficou.

Um ano depois, conforme a mãe da vítima, ele veio atrás da jovem e os dois reataram. Aline falava que o amava e queria que o filho crescesse com a presença do pai. No entanto, no começo de 2024 ela havia arrumado um emprego e teria começado a impor as vontades pessoais dela e ganhar mais autonomia, relata a mãe.

— Quando ele chegou em casa naquele dia ela não estava, tinha ido conversar com a pastora. Mais tarde, a Aline pediu que ele fosse buscá-la e os dois voltaram para casa. Minha filha entrou no banheiro chorando e depois foi para o quarto, porque José tinha pedido para ela arrumar o filho para irem ao culto. Eu e o menino saímos do quarto, ele pegou uma faca e fechou a porta — recorda.

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Mãe e filha moravam juntas na mesma casa, na Escola Agrícola, com os maridos e filhos de cada casal. Lilía tentou abrir a porta e interromper o ataque do genro, mas já era tarde demais. Ele tentou se matar depois de assassinar Aline, chegou a ficar internado sob escolta e depois foi levado à prisão.

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