Um livro pode representar muito mais do que apenas palavras no papel. Para alguns, estudos e trabalho, para outros, os livros são considerados uma fuga da realidade. O ato de segurar o livro em mãos, poder folhear e sentir a textura das páginas é quase um ritual de relaxamento para muitos leitores.
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Um dos locais procurados para a compra dos livros em Joinville são os sebos. Esses locais são um ponto de encontro entre passado e presente, oferecendo opções mais acessíveis ao consumidor e estimulando a paixão pelo ato de ler.
Para além do lazer, a leitura oferece muitos benefícios para o cérebro. De acordo com a médica neurologista Maria Eduarda Fileti, a leitura proporciona a estimulação cognitiva, da memória e da criatividade, assim como ajuda a diminuir o estresse.
— A leitura em livros físicos é mais recomendada em relação às telas, porque não tem aquela luz azul que nos estimula a ficar acordados — explica a profissional.
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Resgate do passado
Ao entrar em um sebo localizado no Centro de Joinville, o leitor faz uma viagem ao passado: livros do chão ao teto, centenas de discos de vinil, fitas cassetes e DVDs nas prateleiras, além de antiguidades como câmeras analógicas, brinquedos e muitos outros colecionáveis que proporcionam uma viagem no tempo.
Nei Cardoso, responsável pelo comércio, conta que o sebo é praticamente um ponto turístico que atrai pessoas de todas as idades e turistas de vários lugares do país. Para ele, esse espaço é um importante símbolo da cultura. Ali estão reunidas milhares de histórias esperando para serem resgatadas.
— Uma cidade que tem sebos, além de chamar a atenção, também fomenta a cultura e promove a educação — afirma.
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O sebo proporciona algumas experiências únicas para os leitores. Isabelly Marques, 24, conta que visita vários sebos em Joinville ao menos quatro vezes no mês. Para a cliente fiel, uma das principais vantagens é poder encontrar edições que já saíram do catálogo e não são mais publicadas, definidas por ela como “raridades”, além de poder fazer trocas dos livros que já possui.
— No sebo é possível encontrar livros muito bem conservados, com preços mais acessíveis — relata a leitora.
Escritora de Joinville dá vida ao livro que marcou sua infância
Era digital
Contudo, a forma de consumir livros mudou nas últimas décadas. Se antes os exemplares físicos eram a única opção em livrarias ou bancas, na atualidade o mercado oferece diversas opções online, desde compras virtuais com entrega em casa, até livros que podem ser lidos gratuitamente no celular.
Os sebos precisaram se adaptar e agora utilizam a internet como uma aliada na venda de livros físicos. Nei Cardoso conta que nos últimos anos tem divulgado a venda de exemplares nas redes sociais e o resultado é positivo.
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— Demanda mais trabalho, mas assim atingimos todo o Brasil. A Internet segurou muitos dos sebos que ainda estão aí — reflete.
O dono do sebo ainda destaca que a mídia tem influenciado nas vendas. Por conta da divulgação da leitura nas plataformas digitais, muitos jovens têm procurado o sebo em busca de exemplares.
“Economia da atenção”: Impacto das telas
A leitura de livros, no formato digital ou impresso, compete com as distrações dos smartphones. A leitura muitas vezes perde espaço e fica em segundo plano, já que não demanda só tempo, mas também atenção. O professor João Kamradt, Doutor em Ciências Sociais, diz que esses elementos conflitantes são uma característica da sociedade atual.
— Nós vivemos na “economia da atenção”. As tecnologias digitais trabalham o tempo todo para capturar nossa atenção e nos manter dentro das redes sociais, é assim que elas ganham dinheiro — explica Kamradt.
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Por conta disso, estar o tempo todo exposto às telas prejudica o foco na leitura e pode torná-la uma tarefa exaustiva. Para ele, o impacto da leitura em uma tela, repleta de distrações, é completamente diferente da retenção de informações em um livro físico.
*Sob supervisão de Leandro Ferreira
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