O Rio de Janeiro foi o primeiro estado do Brasil a incluir absorventes na cesta básica. A medida foi sancionada pelo então governador, Wilson Witzel, no projeto de lei 8.924/20. Fraldas descartáveis infantis e geriátricas também foram adicionadas à entrega, que já contava com outros itens de alimentação e de higiene.
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A iniciativa surgiu a partir das estudantes de ensino médio Amanda Menezes, Maria Eduarda Araújo e Júlia Santos, integrantes do grupo Girl Up Elza Soares, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
— Cesta básica? Então devem ter produtos básicos, né? Mas elas não estavam indo com absorventes. As pessoas não tinham parado para pensar nisso — conta Amanda Menezes, presidente do clube.
Iniciativa foi parar na Assembleia Legislativa
Uma a cada quatro brasileiras já faltou a aula por não poder comprar absorventes, segundo pesquisa feita pela Toluna para a marca Always. Os resultados foram analisados pela pesquisadora e antropóloga Mirian Goldenberg, e também mostram que a situação no Brasil ultrapassa bastante a estimativa global da Organização das Nações Unidas (ONU), de uma a cada 10 meninas.
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Inconformadas com esses números — e essas realidades — as jovens resolveram se mobilizar. Tudo começou no início da pandemia, quando iniciaram uma campanha de arrecadação para distribuir absorventes. Em duas semanas, captaram mais de 1.100 absorventes. Porém, perceberam que não conseguiriam a mesma quantia todos os meses.
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— Não íamos receber ajuda sempre, ainda mais em período de pandemia. Mas as pessoas continuam menstruando todo mês. Então, a gente pensou que indo atrás do poder público, a gente ia conseguir garantir esse acesso — explica Menezes.

Dito e feito. Mesmo sem nunca terem lido um projeto de lei antes, colocaram a mão na massa e formaram uma lista com os deputados estaduais do Rio de Janeiro. Entre todos que entraram em contato, foi Renan Ferreirinha (PSB), hoje secretário de educação, quem topou e propôs que elas mesmas escrevessem o PL. Desde julho de 2020, todas as cestas básicas distribuídas no estado têm também absorventes higiênicos.
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O clube, criado em 2019 e liderado por garotas de 17 a 20 anos, faz parte do Girl Up, um movimento internacional da Fundação ONU que visa incentivar a liderança feminina. Cerca de 40 meninas participam do projeto no estado.
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Com a aprovação do PL, surgiu também a campanha “Livre para Menstruar”, que busca incentivar outras adolescentes a criarem iniciativas desse tipo em seus estados.
— Também espero que as meninas sejam inspiradas por essas ações. Meninas e jovens podem entrar na política e fazer uma mudança no mundo — enfatiza Menezes.
Conheça o coletivo Menstruando sem Tabus
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*Com supervisão de Carolina Marasco e Brenda Bittencourt
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