Os sentimentos de tristeza e pesar têm envolvido a cidade de Mafra e região desde a segunda-feira (13) quando uma criança de 4 anos foi morta a facadas. A irmã da vítima, de 22 anos, é a principal suspeita e estaria em surto psicótico no momento do crime. Nesta terça-feira (14), a jovem passa por audiência de custódia e a família realiza o velório da caçula. 

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Nas redes sociais, parentes e amigos prestaram homenagens à criança. A população local também tem desejado forças à família.

“‘Mocinha’, como gostava de ser chamada, porque era tão desenvolvida e se achava independente, apesar de sua fragilidade e inocência. Como queria retornar ao meu trabalho e a rever porque me causou uma paixão imensurável com sua beleza, delicadeza, inteligência. Perfeita como um anjo — publicou a professora da menina na internet.

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A escola onde a pequena estudava também escreveu uma homenagem, destacando a doçura, alegria e curiosidade da pequena menina de 4 anos, que mesmo com pouca idade, já queria descobrir o mundo.

“Você sempre foi uma criança tão especial, cheia de alegria e curiosidade. Na escola, sua dedicação e vontade de aprender encantavam a todos. Você era uma aluna maravilhosa, com um sorriso lindo que iluminava o dia de todos ao seu redor. Embora você tenha partido cedo, sabemos que o amor e as lembranças que deixou nunca irão embora. Você é um exemplo de bondade e doçura, e essas qualidades vão viver para sempre no coração de todos que te amam”, publicou a unidade de ensino infantil.

A criança é velada durante esta terça-feira (14) em uma igreja evangélica da cidade de Mafra. A partir das 15h, o corpo será sepultado no Cemitério da Roseira.

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Irmã teria doença psiquiátrica

Suspeita de ter praticado o crime, a irmã da vítima, uma jovem de 22 anos, deve passar por exame de sanidade mental. A família relatou à Polícia Civil que a filha mais velha teria esquizofrenia, entretanto, não apresentou laudo para a equipe de investigação.

Presa, a jovem passa por audiência de custódia nesta terça-feira (14), momento em que será decidido se ela vai permanecer presa ou não. Já o exame de sanidade deve ter resultado apresentado nos próximos dias. As primeiras apurações apontaram que a suspeita teria “aproveitado” que estava sozinha em casa com a irmã para a esfaquear no pescoço.

Conforme a Polícia Militar, responsável por conter a suspeita, a jovem estaria em surto psicótico e, por isso, foram usadas ferramentas não letais, como arma de choque e spray de pimenta, para imobilizá-la. A mulher carregava duas facas quando foi abordada pela PM em casa.

Ao longo da segunda-feira, os familiares da vítima e da suspeita foram ouvidos, assim como os policiais militares que atenderam a ocorrência. O delegado Eduardo Borges afirma ainda que não há histórico de violência na família.

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O que é a esquizofrenia

Possível diagnóstico da suspeita do crime, a esquizofrenia é uma doença psicótica que distorce a realidade, misturando o que é real e imaginário. Pacientes esquizofrênicos podem ter alucinações que envolvem o “ouvir vozes” e até “ver coisas”, além de possíveis alterações dos sentidos.

De acordo com o médico psiquiatra Luis Felipe de Camargo Abagge, a doença é dividida em dois tipos de sintomas, os positivos e negativos. O primeiro é quando ocorrem delírios e alucinações, o segundo inclui enfraquecimento afetivo, desorganização de pensamento, desorganização do comportamento, dificuldade de atenção, retenção de memória e de socialização.

O médico ainda destaca que há possíveis casos de violência dentro do espectro da esquizofrenia. Porém, defende que na comparação entre pessoas com e sem esquizofrenia, há maior presença de episódios de violência em pacientes não esquizofrênicos. 

— Isso é bem importante para não estigmatizar esses pacientes. Em geral, a violência da esquizofrenia é muito atrelada às alucinações com um caráter de comando ou então delírios de perseguição. Acham, por exemplo, que um familiar pode estar falando mal e isso poderia desencadear esses episódios de violência. No caso das alucinações, às vezes, pacientes esquizofrênicos escutam vozes de comando, ela tem uma situação que diz para ela fazer algo. Dependendo do grau, a pessoa não consegue fazer uma distinção entre o real e aquilo que é produzido na mente dela e, às vezes, ela acaba acatando — explica o médico.

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O especialista destaca, porém, que esses descontroles não costumam ser comuns. Em geral, pacientes que fazem tratamento com o uso de antipsicóticos têm uma um controle muito maior dos sintomas. Apesar de não ficar totalmente sem os sintomas da doença, conseguem ter uma crítica em relação ao quadro e melhor controle do comportamento. Por fim, o doutor Luis Felipe enfatiza a importância do tratamento e uso da medicação para controlar a patologia.

— Importante lembrar que esses episódios de violência não são a regra, mas são a exceção, muito menos frequentes em pacientes que fazem o tratamento com o uso de antipsicóticos — comenta.

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