No Brasil, se diz Papai Noel. Na França e Itália, o nome do personagem natalino que distribui presentes é Pere Noel e Babbo Natale, respectivamente, e ambos seguem o modelo masculino. Na Alemanha, Papai Noel é chamado de Weihnachtsman; enquanto na Polônia se diz Mikulas. Mas sendo essa figura originalmente masculina e inspirada em São Nicolau, bispo católico do século IV que viveu em Mira, cidade da Turquia, por que são as mulheres que fazem a diferença com seu voluntariado no Natal de muitas pessoas?

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Hoje, mulheres representam mais da metade do grupo de cerca de 8 milhões de pessoas que atuam como voluntários no Brasil. Além dos afazeres domésticos e do cuidado de outras pessoas, elas encontram tempo para promover solidariedade e ajudar o próximo por meio do voluntariado.

Verdade que a realidade tem mudado nos últimos anos, mas o voluntariado sempre esteve ligado ao universo feminino, uma vez que valores como cuidado e responsabilidade são historicamente atribuídos às mulheres.

Ambiente inclusivo em Florianópolis

Possivelmente, por ser o trabalho voluntário, além de uma das formas de exercer a cidadania, uma ferramenta de empoderamento feminino. É o que sugere Camila Soares, uma das fundadoras da Casa Múltiplas, no Centro de Florianópolis, empresa formada por empreendedoras dedicadas a apoiar outras empreendedoras.

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O lugar nasceu para criar um ambiente inclusivo e seguro, onde as mulheres possam se encontrar, conectar e desenvolver seus projetos. No espaço colaborativo se reúnem cerca de 20 marcas comandadas por mulheres. Camila está diretamente ligada ao projeto Pode Crer, do Instituto Padre Vilson Groh (IVG).

Ações solidárias ajudam crianças e idosos



— Uma vez por mês, o espaço recebe as meninas do IVG e elas entram em contato com empreendedoras para conversar sobre diferentes atividades. Pelo menos 70 adolescentes já passaram aqui e tiveram oportunidade de conhecer experiências que mais tarde podem resultar em oportunidade de trabalho —diz.

O Pode Crer é uma iniciativa própria voltada à formação de crianças, adolescentes e jovens, que vivem nas periferias de Florianópolis e que se interessam pelo mundo da tecnologia. De participação gratuita, sempre nos dias da semana em contraturno escolar, o programa oferece aulas de inglês, comunicação e marketing, programação, design, além de tarefas que desenvolvem habilidades socioemocionais e técnicas, essenciais no atual mercado de trabalho, em especial o ecossistema de tecnologia e inovação da Grande Florianópolis.

— Nosso trabalho é totalmente voluntário e abriga mulheres que fazem várias atividades. Primamos pelo autodesenvolvimento, autoconhecimento e autocuidado — explica Camila.

A proximidade do fim do ano colocou Casa Múltiplas no ritmo das festas com oficinas, cursos e palestras. No dia 12, houve uma atividade para aprendizado de técnicas de aquarela para confecção de cartões de Natal. Também houve contação de histórias e escrita de cartinhas para o Papai Noel. Além de preparo de brunch de Natal e degustação. Ainda teve oficina de quadrinhos com pedrarias.

— Nosso objetivo é proporcionar para as mulheres um espaço onde possam ensinar e aprender — diz Camila.

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Kit para bebês e alimentos para idosos

Fran Borges é funcionária pública aposentada. Com experiência em voluntariado em grupos da Universidade Federal de Santa Catarina e no SESC, considerou a ideia de reunir amigas que também participavam de atividades similares. É o oitavo ano de um grupo formado por 15 mulheres que se encontram periodicamente.

— Fizemos um trabalho de formiguinha, sem divulgação. Mas presente ao longo do ano, como Dia das Mães, Dia das Crianças, Natal e Páscoa. Em média, distribuímos 15 enxovais de bebê por mês — conta.

Além disso, distribuem alimentos, frutas, legumes, produtos de limpeza e brinquedos. A maioria dos donativos são direcionados para entidades que chegam com demandas de pessoas conhecidas das integrantes do grupo, como casas para idosos e creches.

As voluntárias da costura utilizam retalhos de tecidos adquiridos em lojas, como malharias, e fazem toalhinhas, babeiros, mantinha.  Mas o grupo também abraçou outras causas, como festinhas para entidades como hospital psiquiátrico, e doação de material de limpeza para casas de passagem.

— Temos uma caixinha do grupo. A cada mês arrecadamos R$ 50 de cada companheira e guardamos para alguma finalidade.

Fran brinca que, vez que outra, recorre “aos universitários”.

— Peço ajuda no grupo de amigas. Sinto que assim a gente vai envolvendo outras mulheres nas ações — explica.

Para este Natal, o grupo presenteou uma creche no bairro Forquilhinha, em São José, na Grande Florianópolis: além de brinquedos para as crianças pequenas, elas direcionaram o olhar para adolescentes que no contraturno escolar ajudam a cuidar das crianças.

— Os pais das meninas estavam preocupados pois elas estavam sem atividade. Para compensá-las, as mulheres do grupo optaram por dar presentes. Mas não ficou só nisso: a gente organizou um café para passar uma tarde com elas — explica Fran.

Mamães Noéis distribuem esperança

Outra organização tocada por mulheres é a Amor que Transforma SC. São 24 anos de solidariedade. O projeto é sustentado por doações e, acima de tudo, por amor. Composto por 42 dedicadas voluntárias, têm como objetivo levar um pouco de esperança e de apoio a quem precisa. Apesar de ainda não ser uma ONG formalizada, devido às exigências, atua com contribuições da comunidade, bazares beneficentes e outras atividades de arrecadação visando famílias em situação de vulnerabilidade.

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— Nosso calendário anual é marcado por importantes campanhas, incluindo o Natal, distribuição de material escolar, celebrações de Páscoa, campanhas de inverno e o Dia das Crianças. No entanto, nossa atuação se estende por todo o ano, oferecendo doações, alimentos e, principalmente, acolhimento —explica Patrícia Aguiar, que faz parte do projeto que atende comunidades em São José e Palhoça.

— Somos verdadeiras Mamães Noéis, pois somos incansáveis em atender bem a cada família — diz a empresária Patrícia.

Atualmente, o projeto tem uma sede localizada no bairro Potecas, em São José. Para melhor atender às famílias, o imóvel está sendo reformado. O objetivo é criar um espaço mais organizado, ainda que a prioridade seja levar auxílio e distribuir carinho.

— Nós acreditamos no poder da união e da solidariedade para transformar vidas. Como formiguinhas que não cansam de andar para um lado e para o outro, nos dedicamos a fazer um gesto de cada vez e a construir um mundo melhor — sugere Patrícia.

Engajamento feminino gera ciclo positivo

Para Ana Paula de Souza Pereira, presidente do Amor que Transforma SC, o papel das mulheres no voluntariado é essencial para o sucesso de projetos sociais. O engajamento não só possibilita que elas contribuam com suas habilidades, mas com que tragam uma profunda capacidade de empatia e de compaixão enriquecendo o impacto das ações desenvolvidas.

— O voluntariado proporciona um sentido de propósito, gerando um ciclo positivo de bem-estar tanto para quem recebe quanto para quem doa — observa a presidente.

Conforme Ana Paula, muitas participantes do Amor que Transforma relatam que encontram no voluntariado uma forma de superar desafios pessoais, como a depressão. Os encontros, o desenvolvimento das atividades e o engajamento oferecem oportunidade de crescimento pessoal, criando laços de amizade e de solidariedade fortalecedores.

— O engajamento feminino acaba como uma mão dupla: a mulher ajuda e é ajudada.  Se por um lado ajudam a transformar a vida das pessoas, também são positivamente ajudadas nas suas próprias vidas — diz Ana Paula.

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Com isso, há ao longo do ano a renovação do espírito natalino, que é de amor.

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