Descobrir, conhecer e cuidar de 166 anos – sem contar a pré-história – é tarefa para poucos. Como se tivessem sido escolhidos por doutor Hermann Bruno Otto Blumenau, Sueli Petry e Adalberto Day zelam pelas memórias da cidade. Cada um à sua maneira dedica os dias a registrar e proteger os fatos que narram o desenvolvimento da comunidade e contam hoje um pouco de suas versões preferidas dos acontecimentos.

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O homem dos porquês

Um pouco da história de Blumenau está guardado em cada cantinho da morada do professor Adalberto Day, o Beto, que aos 63 anos desfila pelos causos da cidade como se fossem suas próprias memórias. A propriedade ao falar de cada detalhe faz com que o espectador viaje para a chegada de Hermann Blumenau, aos corredores da Empresa Industrial Garcia, aos jogos do Amazonas Esporte Clube, deixando transparecer que sua história de vida se confunde com a da cidade. Menino curioso desde a infância, tirava a avó Ana do sério:

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– Sempre queria saber o porquê das coisas. Se a minha avó me dizia que ia na casa da tia Maria, que morava na Rua Rui Barbosa, eu perguntava “Onde ela mora?”, e ela dizia “Lá no Kroba”, então eu questionava “Mas onde fica esse Kroba?”, depois descobri que era o Krohbergerbach, onde ficava a antiga Ponte Preta. Mas chegava uma hora que ela não me respondia mais de tantas perguntas!

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Foram os porquês que fizeram o professor se transformar em um dos guardiões da história de Blumenau, mesmo que Day nunca tenha se sentado em um banco da faculdade de História. Formado em Ciências Sociais, ensinou a história da cidade a muitos blumenauenses e prefere ser chamado de pesquisador da história:

– Os historiadores dizem que não sou historiador, mas não me ofendo, porque gosto mesmo é de pesquisar e descobrir as coisas.

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E a história da cidade também passa por ele. Nome forte da região do Distrito do Garcia, é respeitado e ouvido por muitas autoridades. Para confirmar, registra a passagem de cada um que lhe visita em um livro de presença como aqueles de museu, que conta com mais de 4,2 mil assinaturas desde 1998, quando foi iniciado.

Um livro foi projetado, mas a burocracia e a politicagem o fizeram desistir da publicação. Foi então que surgiu o blog, por sugestão da filha jornalista, em 2007. Em 10 anos de internet, Day contabiliza mais de 800 postagens contando os episódios que descobriu sobre a história da cidade e de seus habitantes.

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Entrevista | Adalberto Day

Qual seu episódio preferido da história de Blumenau?

Tenho lá no blog os mitos e verdades de Blumenau, e poderia dizer que é o que mais surpreende. Os túneis, por exemplo, são contados de forma totalmente errada. Falam que as freiras do Sagrada Família e do Santo Antônio, que era ali na frente, namoravam com os padres dentro dos túneis. Mas, olha só, isso é uma inverdade! As galerias existiam, mas eram fluviais e lá dentro corria esgoto. Aí eu pontuo: tu achas que um padre e uma freira iam fazer amor lá dentro, num lugar desse? Claro que não! Mas o povo gosta da lenda, que toda cidade tem.

E qual o seu personagem preferido da história de Blumenau?

Da fundação, em primeiro lugar, o Doutor Blumenau. Depois citaria uma das pessoas que é pouquíssimo falada, Hermann Wendeburg, que era, digamos, um vice-prefeito. Depois citaria a família dos Friedenreich, Fritz Muller e Gustav Salinger. E dos dias de hoje Felix Theiss, Lauro Bacca, Victor Fernando Sasse e Dalto dos Reis. Na educação o Frei Odorico Durieux, Ernesto Stodieck Jr., também o João Medeiros Jr., fundador da Rádio Clube de Blumenau e do Radioamadorismo em Santa Catarina, e para representar os esportistas de Blumenau, Waldemar Thiago de Souza.

Uma saudade da antiga Blumenau que conheceu?

Tenho saudades de muitas coisas: das goiabas, das primas, das quilicas (bolas de gude), de tanta coisa… Do Hotel Holetz (onde fica hoje o prédio do Grande Hotel), da antiga Igreja Matriz, de pescar, brincar na rua, jogar futebol no estádio do Amazonas e no Clube 12, mas, principalmente, do meu pai.

Indicações de Blumenau

– Um museu: Todos são importantes, mas acho que hoje o que está mais à frente em termos de tecnologia, modernidade, é o Museu da Hering.

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– Um tesouro escondido: Tesouros escondidos desconheço, mas temos muitas histórias escondidas que poderão ser reveladas somente no ano de 2.050. Casos de erros médicos, mortes… Porque as pessoas que sabiam deixaram pedidos para que fossem revelados só dali a 50 anos.

– Um cartão-postal: O Morro do Spitzkopf.

– Um capítulo desconhecido da história: O blumenauense teria que conhecer melhor toda a história da sua cidade, porque são vários capítulos desconhecidos, e a história de Blumenau é muito linda e muito rica.