As dificuldades na qualidade das rodovias, especialmente no Oeste de Santa Catarina, impactam diretamente os custos dos profissionais de transporte. É o que avaliou o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte e Logística de Chapecó (Sitran), durante o painel Move SC, que aconteceu em Chapecó na segunda-feira (2). Segundo Ivalberto Tozzo, com acesso a rodovias melhores, os profissionais que atuam com frete conseguiriam ser remunerados justamente.
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O Relatório de Custos do Transporte Catarinense de 2022, elaborado pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), reitera a afirmação. De acordo com a pesquisa, para cada real faturado pela indústria, R$ 0,11 centavos são diluídos em custos de transporte. No caso do Oeste de Santa Catarina, o valor chega a R$ 0,14.
— Vivemos o dia a dia dos problemas registrados com a infraestrutura e todos os modais que poderiam ser melhorados. Rodovias melhores para acessarmos os Portos ou para transportarmos mercadorias para fora de Chapecó resultariam em um custo menor, o que impacta diretamente no lucro — afirma o presidente.
De acordo com Ivalberto, os altos custos para trafegar e fazer a manutenção dos veículos é um fator preocupante para os profissionais. Para adquirir uma carreta, é necessário desembolsar mais que R$ 1 milhão, e muitas vezes, manutenções básicas chegam a custar R$ 60 mil reais. Com a incidência de buracos ou oscilações na estrada, prejuízos como esse estão cada vez mais frequentes.
— Os custos de manutenção são muito altos quando comparados ao valor do frete. Muitas vezes, um desgaste que acontece no caminhão necessita de cinco ou dez viagens para ser compensado — comenta.
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Confira os principais insights do evento:
Oeste carece de atenção
De acordo com Ivalberto Tozzo, o Oeste de Santa Catarina necessita de mais atenção pelo Poder Público. Ele comenta que o Governo Estadual e Federal têm melhorado os investimentos, mas, ainda há diversos avanços que precisam ser feitos para favorecer as vias no Estado.
— Tivemos, recentemente, alguns avanços entre Chapecó e o Trevo do Irani que servem como exemplo. Se as nossas rodovias seguissem esse padrão, faria toda a diferença para os trabalhadores do transporte — orientou o presidente.
Ivalberto também destacou que, embora Santa Catarina tenha um território geográfico menor do que os estados vizinhos, há a necessidade de aumentar a quantidade de rodovias asfaltadas. Segundo ele, Santa Catarina ocupa a quinta posição no ranking de maiores frotas do país, e em contraponto, a menor malha pavimentada do país. Apenas entre a diretoria do Sitran, há mais de 8 mil caminhões.
Parcerias Público Privadas como alternativa
Outro exemplo citado pelo presidente da Sitran são as rodovias de São Paulo, que através de concessões e Parcerias Público Privadas (PPPs), foram revitalizadas. Ivalberto comenta que, embora seja necessário o pagamento de pedágio, o valor compensa devido ao custo reduzido para transitar nesses espaços. A iniciativa, segundo o representante, mostra que esse tipo de rodovia pode ter bons resultados em Santa Catarina.
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— O transportador é a favor do pedágio. Afinal, o custo da estrada ruim é muito maior do que o valor pago para trafegar na rodovia. Além disso, esse pagamento tende a ser suprido pelo embarcador — explica.
Dificuldades para encontrar profissionais
Ivalberto menciona, ainda, que as dificuldades na logística têm impactado o recrutamento de pessoas para trabalharem como motoristas. Segundo ele, os riscos de vida associados à profissão, além das dificuldades e altos custos das estradas e a distância de casa, tem desmotivado os profissionais.
— Antigamente, era comum ver avós, filhos e netos atuando como motoristas na mesma empresa. Hoje, os avós e pais não querem que as gerações mais novas atuem na profissão. Santa Catarina tem apenas um local para uma parada digna dos profissionais, e tudo isso impacta a qualidade de vida deles — comenta.
Sobre o Move SC
O Move SC é uma iniciativa da NSC voltada para impulsionar dar visibilidade e debater a logística do Estado. Nos últimos meses, a NSC tem acompanhado de perto os principais acontecimentos e inovações no setor logístico catarinense. Em todas as regiões do Estado, os veículos da NSC produziram conteúdos que fomentam o debate sobre os desafios e as melhorias implementadas nessa área, essencial para a economia.
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