Enquanto o calor intenso atinge diversos lugares do mundo, especialistas avaliam o fenômeno como “improvável” para Santa Catarina. A onda de temperaturas altas que abafa toda a Europa desde o início do verão — com termômetros chegando a marcar 46°C na Itália, por exemplo — não deve se repetir no Estado devido às condições atmosféricas das regiões catarinenses. Ao contrário das altas temperaturas, a previsão para o verão é de chuvas volumosas e temperaturas mais amenas.

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A condição é uma consequência do El Niño, conforme explica a especialista da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Marina Hirota Magalhães. O fenômeno, que neste ano se concentra mais próximo da costa terrestre e, segundo ela, não tem causado grandes impactos ainda, deve trazer chuva entre a primavera e verão. O efeito mais forte, de acordo com o que explica, ocorre de novembro adiante.

— A gente tem que ir observando como o El Niño vai se desenvolver, porque ele pode registrar mudanças mais prolongadas. O efeito chega em Santa Catarina mais perto da primavera e, normalmente, novembro, fevereiro e maio são meses com mais potencial de volumes de chuva — diz.

Segundo o que complementa Lindberg Nascimento Júnior, integrante do Laboratório de Climatologia Aplicada da UFSC, a peculiaridade climática do Estado conduz o El Niño a um efeito distinto do que ocorre na Europa, resultando em incremento de chuvas ao invés de elevação das temperaturas. Isso projeta um verão caracterizado por umidade, alinhando-se às particularidades geográficas de Santa Catarina.

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— É claro que está tudo conectado, mas uma influência direta disso é muito difícil. A gente tem a influência do El Niño em Santa Catarina, o que já tem deixado as águas do oceano mais quentes e isso favorece a instalação de ciclones tropicais, por exemplo. Então a tendência é de que não tenhamos onda de calor, mas registros de precipitação de chuva, ciclones bombas também porque isso faz parte da nossa dinâmica — explica.

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Na análise da situação atual do continente europeu, conforme explica Magalhães, emerge a percepção de que o aumento da temperatura exerce um papel determinante nos fenômenos extremos e, por isso, uma analogia sugestiva é a comparação com arremessar uma pedra em um lago, cujas ondulações vão se propagar de maneira similar às influências que se disseminam pelo sistema terrestre.

O processo de perturbação é comparado a atirar “pedrinhas” no sistema, como ações humanas, como o desmatamento e emissões de gases de efeito estufa, que desencadeiam um efeito cascata de alterações climáticas. Esse efeito dominó tem implicações globais, onde as ações realizadas em um local podem reverberar por todo o planeta.

— É improvável que o verão aqui seja parecido aqui em Santa Catarina, mas com a bagunça do sistema terrestre, coisas inesperadas podem acontecer. Então a gente precisa olhar para o histórico, a gente tem climatologicamente chuvas uniformes e estamos em uma região de transição então esse efeito intenso não necessariamente terá efeitos na temperatura, mas na chuva. Em novembro, por exemplo, deve chover mais do que o esperado e não necessariamente ao longo do mês, o que no total causa aqueles problemas mais concentrados como deslizamentos e alagamentos — explica.

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Leia mais: Ondas de calor são consequência de ações humanas, diz pesquisa

Para que a intensa onda de calor chegasse em Santa Catarina, segundo a especialista, precisaria de uma alta zona de pressão no Estado e isso implicaria na baixa das chuvas, o que não é previsto devido, justamente, ao El Niño. Apenas em caso de anomalia, a situação poderia ser diferente.

— Vamos dizer que tivéssemos anomalias, nos dias que não chove, o tempo pode ser muito seco e com temperaturas mais altas, mas isso é muito improvável para as condições que temos — finaliza.

No mês de julho, as temperaturas ultrapassaram os 50ºC em algumas regiões da China e dos Estados Unidos. Na Europa, os termômetros também registraram recordes de temperatura — na Espanha, o dia mais quente da história foi em 18 de julho: mais de 45ºC.

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