Como canta Jorge Ben Jor na música País Tropical, em fevereiro tem Carnaval. Neste ano, bem no meio, entre os dias 10 e 13. A verdade é que Florianópolis, que espera receber milhares de turistas, já vive o clima de folia com eventos públicos e privados. Cerca de 80 blocos, em diferentes bairros, participam da festa mais popular do país. Na sexta-feira (2), tem o cortejo do Berbigão do Boca, que oficialmente abre o agito. Como diz o presidente Paulo Abraham, o Boca, é “dia da cacalhada toda se juntar”.
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No falar dos nativos e que migrou para o meio carnavalesco, cacalhada é um termo para se referir a um grupo de pessoas “que não presta” (no sentido divertido), que gosta de uma boa bagunça, que dá tudo para festejar.
Assim como em outras cidades, a folia de Florianópolis tem seus neologismos, gírias e bordões surgidos principalmente da criatividade dos sambistas cariocas. Por ter uma ligação muito próxima com o Carnaval do Rio de Janeiro, alguns se repetem: Bagunçou o coreto (perturbou), Jesus por Genésis (trocar as coisas), O bicho vai pegar (páreo duro).
Mas também tem carioca que, como bem fez o compositor André Calibrina, se inspirou numa das expressões mais comuns do chamado manezês: o olhó lhó. Desde 1992, através da Lei número 3.887, a música usando essa e outras expressões se tornou o Hino do Manezinho. Não existe bloco que se preze que não desfile ao som dos “Ó lhó lhó lhó lhó, Sou manezinho, mas não sou nenhum bocó, Ó lhó lhó lhó lhó, Eh, eh, tas tolo, dás um banho, o bocoró…”.
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Compositor precisou de dicionário para se inspirar
Com uma pronúncia bastante peculiar, resultado da herança açoriana e da cultura pesqueira, o chamado manezês surpreende muita gente. Mesmo aqueles acostumados com a antiga malandragem dos morros cariocas:
— Eu vim servir na Base Aérea de Florianópolis e fiquei surpreso com o jeito do pessoal falar. Quis entender melhor, comprei o Dicionário da Ilha, de Fernando Alexandre, e me inspirei – conta o músico André Calibrina.
Na letra da marchinha, Calibrina inclui a expressão “mofas com a pomba na balaia”, alertando que alguém não vai conseguir determinado objetivo. Em seguida, fala da culinária e cultura local: “gosto de siri e pirão d’água, boi de mamão, camarão e berbigão”. Por fim, deixa um recado aos que estão chegando: “Se vens pra ilha dando uma de dotô, Eh, eh, tás tolo, te arromba istepô”.
Portanto, para que ninguém se arrombe neste Carnaval, o NSC Total selecionou algumas expressões e gírias presentes nas rodas, ensaios e conversas dos moradores acostumados a uma folia que não tem no mapa.
A
Aba – sujeito que pega no pé
Abadá – Uniforme (camiseta) dos blocos
Agito – Movimento acima do normal
Aí dói – Quando não dá certo
Arrombassi – elogio manezinho para quando a pessoa mandou bem em alguma coisa
B
Bagunçou o coreto – perturbou
Balacobaco – ótimo
Baluarte – são os pilares ainda vivos de uma escola de samba
Banzo – triste, saudoso
Bloco de sujos – grupos que vão pra rua brincar sem necessidade de fantasia
Briga de cachorro grande – disputa acirrada entre grandes agremiações
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C
Caô, caô – papo furado
Carros de mutação – carro que se movimenta e se transforma no decorrer do desfile e que teve seu auge no carnaval da Ilha em décadas passadas
Chinfra – cheio de estilo, panca
Cobra criada – sambista criado em “casa”, dentro de uma agremiação
Coringada – espiar, ficar de longe
D
Dax um banho – significa “você arrasa”
Deu um sacode – levou um corretivo
Dona encrenca – mulher severa, esposa
Dono da cocada preta – aquele que se acha o dono da situação
Dotô – doutor
E
Empata – aquele que não faz nem deixa o outro fazer
És um monstro! – elogio a uma pessoa que é boa em algo, que mandou muito bem
F
Figuraça – sambista popular, querido
G
Galego – descendentes de português, branco
Garfar – meteram a mão, roubaram
Gurufim – velório de sambista, onde se come, bebe e canta
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H
Homem da grana – que tem dinheiro
I
Istimada – pessoa querida
Ixtepô – pessoa que atrapalha, que incomoda, termo usado mais no tom de brincadeira
J
Jesus por Genésio – trocar as coisas
L
Lua – sol forte
M
Matador – samba com pinta de ser vencedor
Mete bronca – bate com força
Meu rei – amigo querido
Mofas com a pomba na balaia – expressão que indica que a pessoa não vai conseguir atingir o objetivo
N
Não tem no mapa – sem igual
Não tem pra ninguém – escola com mais pinta de ser campeã
O
O bicho vai pegar – páreo duro nas disputas
O lhó lhó – expressão que indica surpresa, espanto
P
Parada errada – entrou numa fria
Pirão d’água – prato feito da mistura de farinha de mandioca com água quente
Q
Quase que a chapa esquentou – faltou pouco para causar tumulto
R
Raiz – sambista que nasceu e cresceu dentro do mundo do samba
Raça – palavra usada para se referir ao pessoal ou turma
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S
Samba-viajandão – sem fundamento, excêntrico
Sova de samba – surra
T
Tanso – pessoa tola, sonsa, que vacilou ou é meio lerda e pode botar tudo a perder
Traíra – falso, traidor
U
Um sete um – trapaceiro
Urucubaca – azar
V
Vacilão – sujeito que erra
Velha-Guarda – pessoal mais antigo
X
Xaveco – cilada
Xexéu – Marco Aurélio Vergínia, lendário mestre-sala da Embaixada Copa Lord
Z
Zé Mané – trouxa, bobão
Ziriguidum – bossa
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