Uma das primeiras medidas anunciadas pelo novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi a saída do país do Acordo de Paris. O tratado climático internacional reúne mais de 190 nações e estabelece metas para conter o aquecimento global. O compromisso prevê ações para limitar em no máximo 2 graus Celsius o aumento na temperatura do planeta até 2030.

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No primeiro dia de governo, Trump já assinou decretos que incluem a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris. O presidente já havia excluído o país do tratado global quando governou o país pela primeira vez, entre 2017 e 2020. Os EUA voltaram ao compromisso internacional em fevereiro de 2021, após Joe Biden assumir o comando da Casa Branca.

A saída dos EUA do Acordo de Paris é vista como um retrocesso nas ações mundiais para combater o aquecimento global. Por serem a principal potência econômica do mundo, os Estados Unidos poderiam motivar outros países a deixarem o acordo ou, no mínimo, desencorajaria a se comprometer para alcançar as metas de controle da temperatura média global.

O anúncio de Trump ocorre em um momento desafiador para as nações que integram o Acordo de Paris. O ano de 2024 foi considerado o mais quente da história, com uma elevação na temperatura média de 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais. Este limite era o cenário ideal estabelecido pelo próprio tratado do clima para reduzir eventos extremos e agravamento da crise climática no mundo.

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Enfraquecimento da agenda multilateral

O professor de Relações Internacionais da Univali e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Daniel Corrêa da Silva, acredita que as medidas anunciadas por Trump voltam a intensificar um movimento que já vem em curso desde a época do mandato anterior, o de enfraquecimento da agenda multilateral, com organismos internacionais que decidem em conjunto os temas globais mais sensíveis.

— Por mais que se radicalize algumas medidas em temas como comércio internacional, imigração, ele intensifica agendas que inaugurou oito anos atrás, mas que não foram revertidas pelo sucessor, foram no máximo suavizadas — explica, citando como exemplos as conduções diretas que os EUA fizeram de assuntos como os conflitos em Gaza.

Sem o apoio dos EUA para alcançar as metas do acordo de Paris, o desafio deve ficar maior para países da Europa, que terão uma dificuldade maior de relação com os EUA em temas como a agenda ambiental e até mesmo energética.

— A questão ambiental é a mais transnacional, é onde os impactos mais refletem para fora de suas fronteiras. A decisão dos Estados Unidos na área ambiental significa consequências para o mundo todo — afirma.

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Efeitos sobre o Brasil e a COP 30

Os desafios e a necessidade de medidas mais rigorosas para atingir os objetivos do Acordo de Paris serão discutidas na COP 30, a Conferência do Clima que será sediada pelo Brasil, em Belém (PA), em novembro deste ano.

— Para aquilo que o governo brasileiro almejava de protagonismo internacional pela agenda ambiental, as decisões de Trump são um duro golpe, representam um revés sobre o objetivo do Brasil, que era tentar arrancar compromissos mais sérios dos países — avalia.

Na avaliação do professor de Relações Internacionais, o cenário global pode, em contrapartida, oferecer oportunidade para o Brasil avançar no protagonismo a partir de uma agenda própria, baseada em aspectos como a matriz energética diversificada do país, sem depender necessariamente da validação dos Estados Unidos para os rumos apontados na área ambiental.

Veja fotos da posse de Trump nos EUA

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Trump também anunciou saída da OMS

Outra medida anuncida por Trump já no primeiro dia do governo foi a saída dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde (OMS). O argumento citado pelo novo presidente americano foi de que a agência exigiria “pagamentos injustamente onerosos” aos EUA.

Assim como no caso do Acordo de Paris, Trump também já havia retirado o país da OMS na primeira passagem dele pela Casa Branca, em 2020, em meio à pandemia de Covid-19. A saída na época foi justificada também por ações da organização na gestão da pandemia. A medida também foi revertida pelo ex-presidente Joe Biden, no ano seguinte.

A OMS é uma espécie de braço da Organização das Nações Unidas (ONU) com atuação específica na saúde e sediada na Suíça. A entidade trabalha no combate a doenças transmissíveis como HIV, gripe e teve atuação de destaque na pandemia de Covid-19, com as orientações sobre as medidas adequadas para evitar o contágio da doença. A OMS é integrada por mais de 190 países.

O principal impacto da saída dos EUA da OMS apontado por especialistas é no corte de recursos, já que o país era um dos principais financiadores das ações da organização.

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