Não é apenas com seringas, receitas e remédios que Joel Mistokles ajuda pacientes da emergência do Hospital Regional Alto Vale, em Rio do Sul, onde trabalha. O médico natural do Maranhão descobriu a eficácia de outro instrumento, não tão comum neste tipo de ambiente, mas também capaz de “curar” quem se encontra em um leito da unidade.
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Com um violão em mãos, o profissional leva mensagens de amor e fé àqueles que mais necessitam de cuidado — e esperança.
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Formado em Medicina há cerca de dois anos, Joel revela que a música é uma paixão ainda mais antiga e o acompanha desde a infância. Ele até chegou a gravar um CD pouco antes de iniciar a faculdade na área da saúde, conforme conta, mas a vontade de cuidar das pessoas era o que fazia o coração do rapaz bater mais forte.
Hoje, já com o diploma de médico e um emprego estabelecido, ele encontrou uma forma de unir as duas vocações. Durante o expediente, no hospital em que atua, Joel pega o instrumento de seis cordas e espalha pelo ambiente um pouco da alegria que a música é capaz de proporcionar.
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— É tentar levar uma forma de abraçar a alma de alguém através da música — comenta o médico.
Ele também conta, no entanto, que não é sempre que consegue ter essa iniciativa, já que a rotina na emergência da unidade exige muito tempo e atenção do profissional. Ainda assim, Joel faz o possível para trazer um pouco da arte dele aos pacientes.
Seja individualmente ou para uma ala inteira; aos próprios colegas de trabalho ou para si mesmo, durante um plantão no Natal, por exemplo. Quando percebe a necessidade de levar um pouco de paz e leveza às pessoas, o médico não hesita em pegar o violão e compartilhar bons sentimentos em forma de música.
A luta por trás da realização de um sonho
Natural de São Luis, no Maranhão, Joel cresceu em uma família evangélica, onde mãe e avós costumavam frequentar a Assembleia de Deus. Por isso, desde os 12 anos ele conta que já cantava na igreja e tinha uma ligação muito forte com a fé.
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Mais tarde, passou a escrever as próprias músicas e, pouco antes de começar a faculdade de Medicina, em 2016, Joel conseguiu a oportunidade de lançar o primeiro CD, com algumas das próprias composições que escrevia.
Diante disso, ele decidiu aproveitar a conquista para tentar alcançar um outro objetivo.
— Eu entendi que era algo de Deus na minha vida para levar uma mensagem às pessoas e acabou sendo uma forma também de lutar pelo sonho de ser médico — explica.
Joel conta que iniciou o curso superior em uma universidade particular e que exigia dele presença integral na faculdade. Por causa disso, ele não tinha como manter um emprego, já que ficava sem tempo para trabalhar.
No entanto, com o lançamento do CD, ele viu uma maneira de conseguir dinheiro para dar continuidade ao curso. Assim, foi com o próprio talento que o futuro médico passou a ter uma nova fonte de renda.
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— Eu ia nos coletivos cantando, oferecia o meu CD e vendia. Voltava de ônibus para a faculdade, cantando. Vendia meu CD e fazia assim. Era a forma que eu tinha de lutar por esse sonho de um dia poder cuidar de pessoas como médico — relembra.
Em 2021, ele finalmente alcançou esse objetivo.

Uma mensagem em forma de música
Joel mora em Rio do Sul há cerca de 9 meses. Ele, a esposa, os dois filhos, a cunhada e o marido dela se mudaram para Santa Catarina depois que o médico visitou a cidade no Alto Vale através de um congresso da igreja que ocorreu na região.
Como ele já tinha amigos que viviam aqui e alimentava, desde a faculdade de Medicina, um desejo de conhecer o Sul do país, não foi difícil encontrar no município de pouco mais de 70 mil habitantes um novo lar.
Aos 35 anos, Joel é formado em Medicina, como sempre sonhou, e tem um emprego estável em um hospital na cidade onde mora, junto da família — que irá crescer em breve. Só que para chegar até aqui, não foi um caminho fácil.
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Mesmo assim, ele sente gratidão por toda a trajetória que viveu. Quando cantava em público para vender o próprio CD, Joel ressalta que era um momento que lhe fazia bem, pois percebia que, através da música, ele conseguia levar uma mensagem sobre esperança e fé para as pessoas.
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Atualmente, mesmo com o diploma em mãos, o médico continua carregando a arte dele para outros lugares além do próprio ambiente de trabalho. Vez ou outra ainda toca em ônibus ou praças, assim como há alguns anos atrás, mas, agora, com um recado de inspiração para quem lhe ouve.
— No final eu falo que eu estive em um ônibus, vendendo o meu CD, com o objetivo de ser médico. E hoje eu sou médico — comenta.
Um médico que descobriu como ajudar os pacientes experimentando opções além dos métodos tradicionais. E que, hoje, ao pegar o violão, não toca somente um instrumento, mas também a alma das pessoas que estão por perto.
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*Sob supervisão de Augusto Ittner
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