O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez projeções para a segunda metade do governo em entrevista coletiva a jornalistas na manhã desta quinta-feira (30), no Palácio do Planalto, em Brasília. O chefe do Executivo falou sobre temas polêmicos como a queda na popularidade, a alta de preços de alimentos, possíveis mudanças nos ministérios e a relação com o novo presidente dos Estados Unidos, o bilionário republicano Donald Trump.

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Lula abriu a entrevista dizendo estar recuperado do acidente doméstico e liberado para viagens. Afirmou que pretende se comunicar mais diretamente com a imprensa nos dois últimos anos do mandato. O presidente fez uma defesa da democracia no atual momento político mundial e projetou protagonismo do Brasil em 2025, por sediar o encontro dos Brics e a COP 30, em Belém (PA).

Lula projetou boas notícias para a sequência do mandato ao afirmar que “a safra está plantada” e disse que o país deve voltar a um “espetáculo de crescimento”, expressão utilizada por ele — e criticada por adversários — nos dois primeiros mandatos.

Veja abaixo os principais assuntos abordados pelo presidente:

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Novo aumento da taxa Selic

Questionado sobre o novo aumento da taxa Selic anunciado nesta quarta-feira (29), elevando o indicador para 13,25%, Lula disse que o novo presidente do Banco Central, o aliado Gabriel Galípolo, “fez aquilo que entendeu que deveria fazer”. Disse também que “não esperava milagre” na primeira reunião do novo chefe do BC.

— Tenho 100% de confiança no trabalho do presidente do BC. Tenho certeza de que ele vai criar as condições para entregar aos brasileiros uma taxa de juros menor. No tempo em que a política permitir que ele faça. Nós como governo temos que cumprir nossa parte, a sociedade cumpre a parte dela, e Galípolo cumpre a função de coordenar a política monetária brasileira para entregar uma taxa de juros mais baixa — avaliou.

Críticas de Kassab e Marcos Pereira

Lula comentou críticas sofridas do Gilberto Kassab (PSD) e Marcos Pereira (Republicanos), presidentes de partidos que possuem ministros no governo Lula, mas que esta semana fizeram avaliações negativas da gestão federal até aqui. Kassab chegou a afirmar que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, era “fraco”, e que se a eleição fosse hoje Lula não venceria a disputa. Na resposta, Lula disse que “riu” ao saber da declaração de Kassab.

— Eu olhei no calendário e percebi que a eleição vai ser só daqui a dois anos. Eu fiquei muito despreocupado, porque hoje não tem eleição — ironizou.

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Lula disse que Kassab “foi injusto” com Haddad, a quem chamou de “ministro extraordinário”, e elogiou o trabalho do aliado em medidas como a PEC da Transição e a reforma tributária. O presidente também criticou a tentativa de antecipar o processo eleitoral.

— Se o Republicanos vai me apoiar em 2026? Deixa chegar 2026. Não vamos tentar antecipar dois anos. O meu problema é fazer com que 2025 seja o ano da melhor colheira política deste país — afirmou Lula.

Democracia

Ao fazer uma defesa da democracia, Lula fez um alerta sobre os riscos do aumento de governos autoritários no mundo.

— A democracia é a coisa de maior relevância neste instante na humanidade. Não é só no Brasil. Ou a gente mantém a democracia funcionando, ou a gente vai ter estados totalitários mais do que Hitler e mais do que o fascismo — alertou.

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Combustíveis

Lula disse que não interfere nos preços dos combustíveis e a decisão sobre uma possível elevação do Diesel cabe à Petrobras. Disse que, mesmo que haja reajuste, os preços ainda ficariam abaixo do que estavam no fim de 2022. Afirmou ainda que “quem está aumentando é Confaz”, em referência ao conselho de secretários de Estado da Fazenda, que definiu elevação no ICMS em todos os estados a partir de fevereiro, o que deve elevar o preço da gasolina.

Preços dos alimentos

Lula comentou o aumento no preço dos alimentos e disse que isso “é sempre muito ruim porque atinge sempre os trabalhadores mais pobres”.

— Não tomarei nenhuma medida que são bravata. Não vou colocar cota [de compra], não colocarei helicóptero para viajar fazenda e prender boi, como foi feito no Plano Cruzado. Nada que possa significar o surgimento do mercado paralelo. É aumentar a produção de tudo que a gente produz, fazer com que a pequena e média agricultura, que são responsáveis por quase 100% daquilo que se consome, possa produzir mais, para isso a gente tem que fazer mais financiamentos — apontou.

Lula citou o óleo de soja, que caiu para a faixa de R$ 4 no início do governo mas que agora subiu para perto de R$ 10, e até mesmo da carne. O presidente afirmou que quer conversar com produtores e entender o porquê dos aumentos.

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— Em 2023, a picanha caiu 30%. Ela voltou a subir por quê? É apenas a exportação? É a matriz? Porque todo ano que se mata muita vaca, no ano seguinte não tem bezerro para matar, então aumenta o preço da carne. Então, eu quero saber. Se eu souber, a gente pode tomar alguma medida junto com os empresários para fazer com que mercado volte à normalidade — analisou.

Lula também anunciou um programa de crédito consignado que está sendo elaborado para “fazer com que o dinheiro chegue na ponta”.

Gleisi Hoffman ministra?

Lula foi questionado se a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) e até mesmo os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que deixam o cargo neste fim de semana. Ele disse que ainda não analisou se vai fazer mudanças no ministério, mas disse que Gleisi é um quadro qualificado e poderia ocupar ministérios “em qualquer país do mundo”.

— É um quadro muito refinado. Tem condição de ser ministra em muitos cargos. Até agora não tem nada definido. Não conversei com ela, ela não conversou comigo. Ainda estou pensando se vou trocar algum ministro, não. Mas se for trocar, vou comunicar.

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Veja fotos da coletiva de Lula

Déficit fiscal

Lula prometeu estabilidade fiscal no governo e destacou o déficit de 0,1% alcançado pelo país no último ano.

— A gente quer responsabilidade fiscal e fazer o menor déficit possível porque a gente quer que esse país dê certo.

Queda na popularidade

Lula também comentou a queda na popularidade apontada por pesquisas. Ele disse que não se preocupa com esses levantamentos e que o resultado da aprovação depende das medidas de governo. Lembrou que deixou o governo com mais de 80% de avaliação ótima ou boa.

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— Eu dizia para o [Paulo] Pimenta [ex-ministro da Secretaria da Comunicação]: não se preocupe com pesquisa porque o povo tem razão. A gente não está entregando aquilo que a gente prometeu. Então, como o povo vai falar bem de um governo se a gente não está entregando? É preciso muita paciência. Não me preocupo com pesquisa — afirmou.

Relação com Trump

Lula também foi perguntado se pretende fazer contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e como pretende reagir caso o republicano aumente a cobrança de taxas sobre produtos brasileiros exportados ao país.

— É simples. Se ele taxar, haverá reciprocidade do Brasil — afirmou.

Lula afirmou que a princípio não pretende telefonar para Trump, afirmando que “Não há nenhum interesse, nem meu nem dele”, mas admitiu que pode encontrar o presidente dos EUA em encontros internacionais, e que nessas ocasiões eles conversarão. O petista criticou ações como a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, medida que chamou de “regressão à civilização”.

— Já governei com republicano, democrata e minha relação é sempre a mesma. De um estado soberano para outro estado soberano. Ele foi eleito para governar os Estados Unidos, eu mandei uma carta desejando boa sorte para ele, e eu fui eleito para governar o Brasil. Eu vou respeitar os Estados Unidos e quero que ele respeite o Brasil — sustentou.

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