Um grupo preso em novembro do ano passado em São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis, por suspeita de neonazismo, é apontado pela Polícia Civil de Santa Catarina como a “filial” brasileira de uma organização supremacista internacional. 

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— O grupo era o capítulo brasileiro dessa organização — explicou ao NSC Total o delegado Arthur Lopes, responsável pela investigação.

A apuração aponta que eles tinham regras internas, hierarquia e pagamento de mensalidades. Segundo o delegado, até o momento não foram identificados planos de ataques dos envolvidos, mas havia em seus computadores manuais de fazer bombas, por exemplo. 

O grupo internacional de supremacistas ao qual a polícia se refere surgiu nos Estados Unidos nos anos 1980. Ele se expandiu pelo mundo nas décadas seguintes e recebeu propaganda de bandas de rock, que pregavam o ódio racial em suas letras. 

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Segunda fase da investigação prendeu neonazistas no RS

O desdobramento mais recente do caso é a prisão de dois homens na última quarta-feira (29), em Caxias do Sul, na serra gaúcha. A informação foi revelada em reportagem exibida no Fantástico no domingo (2). Segundo a Polícia Civil, eles também fazem parte do grupo preso no ano passado em Santa Catarina.

O inquérito foi concluída na última sexta-feira (30) e os dois foram indiciados por racismo e por integrar organização criminosa.

Um deles é Fábio Lentino, um operador de áudio na Rádio Gaúcha Serra do Grupo RBS. Em nota, a empresa disse que repudia qualquer tipo de discriminação e que desligou o funcionário (veja nota na íntegra abaixo)

O segundo preso é Rodrigo de Jesus Tavares, um funcionário dos Correios. A empresa pública também se manifestou em nota lamentando o ocorrido. 

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“Os Correios lamentam o ocorrido e repudiam quaisquer comportamentos dissociados dos valores defendidos pela estatal. A empresa tomará as medidas administrativas e cautelares cabíveis”, escreveu a empresa. 

Ao Fantástico, o advogado da dupla, Alexandre Leite dos Santos, disse que eles negam todas as acusações e que devem se manifestar após ter acesso aos autos do processo.  

Oito suspeitos seguem presos

A investigação começou a partir de uma denúncia anônima sobre um encontro de neonazistas em um sítio. Oito pessoas foram presas na ocasião e com elas foram encontradas roupas e objetos com símbolos nazistas. 

— De fato, no local encontramos um grupo de indivíduos adeptos e integrantes de uma organização skinhead neonazista transnacional. Localizamos toda vestimenta utilizada por eles, toda a indumentária que identifica eles como um grupo neonazista — disse o delegado Arthur Lopes, responsável pela investigação, em entrevista ao Fantástico.

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Todos os oito suspeitos presos em flagrante no ano passado seguem em detenção e já foram indiciados. Entre eles estava Laureano Vieira Toscani, um neonazista com ficha criminal por casos de agressão contra negros e judeus. 

Um dos crimes mais emblemáticos ao qual Laureano é acusado de agressão contra três jovens judeus em Porto Alegre no ano de 2005. No momento da prisão, no ano passado, Toscani usava tornozeleira eletrônica. 

A reportagem do Fantástico mostra um depoimento de Laureano Vieira Toscani à polícia. Na imagem, ele nega que o grupo que integra tenha ligação internacional. 

O advogado que defende os oito presos também falou ao Fantástico. Luís Eduardo de Quadros negou que os clientes sejam neonazistas e afirmou que eles tinham interesse pela história da segunda guerra. 

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Veja a íntegra da nota do Grupo RBS

Sobre a prisão temporária de um colaborador em operação policial realizada na quarta-feira (29), o Grupo RBS reitera seu repúdio a qualquer forma de preconceito e já efetuou o desligamento do funcionário.

Respeito e tolerância são valores fundamentais para a nossa empresa e que constam no nosso código de ética e conduta.

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