Idade? Oito Copas do Mundo recém-completadas.
Não conto a idade pelos anos de vida que vivi, mas pelo o que realmente importa: as Copas do Mundo que vi.
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Um ano sem Copa do Mundo é um ano insosso, um ano em que não se vive, apenas se espera. Felizmente, vivemos em 2022 – ou pelo menos em 30 dias dele.
A primeira memória de vida que tenho é de Cláudio Taffarel defendendo aqueles pênaltis contra a Holanda, em 1998. A derrota na final não tirou em nada a empolgação do garoto que completava sua segunda Copa de vida. Nas semanas seguintes, minha brincadeira preferida foi repetir aquelas defesas enquanto reproduzia as narrações de Galvão Bueno.
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Em 2002, quando Cafu levantou os braços ao céu japonês e o Brasil saiu às ruas para celebrar, a magia se fez ainda mais poderosa. Lembro de pensar que “se os adultos, que só se importam com coisas irrelevantes de gente adulta estão empolgados, é porque isso realmente é a coisa mais importante que existe”. É assim que continuo pensando desde então.

Depois disso, foram Copas de memórias agridoces. O meião de Roberto Carlos e a chapada de Henry, as travas de Felipe Melo no joelho de Robben, os olhos desalmados do colombiano Zúñiga ou a impiedade sétupla dos alemães, o quase de Renato Augusto, que também foi o de todos nós e, enfim, as lágrimas e o consolo de Modric ao pé do ouvido, como se fosse o pai de Rodrygo ou o pai do Brasil.
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Mas nessa jaula de lembranças agora há espaço também para o giro no ar de um pombo canarinho. Não gritei pelo gol de Richarlison, gritei pelo nascimento de mais uma memória eterna. Àqueles que têm menos de seis Copas de vida: o triunfo se torna ainda mais indelével quando vem precedido de seguidas tragédias.
A Copa do Mundo é tão maravilhosa porque é a única oportunidade em quatro anos que temos de assistir a um delicioso Coreia do Sul x Gana às 10h (de Brasília) de uma segunda-feira qualquer na TV aberta. É só nela que jovens fortes e ricos se abraçam ou colocam a mão no peito para gritar ao mundo inteiro frases como “deixe-nos jurar com glória para morrer”, “palmo a palmo com cego furor” ou “és belo, és forte, impávido colosso”.
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E é só a Copa do Mundo que é capaz de causar uma explosão de bebês batizados com nomes como Romário, Ronaldo ou Vinícius Júnior, mesmo estes últimos não sendo filhos de Vinícius algum.
Por tudo isso, nos últimos 30 dias, eu fui um filho distante, um marido ausente e um funcionário relapso. Há 30 dias que não falo e não penso em nada além de uma bola em movimento contínuo e que todos os meus esforços se concentram unicamente em assistir a maior quantidade de partidas de futebol possível.
Domingo (18), quando terminar minha oitava Copa do Mundo, a segunda-feira (19) virá para ser como todas as segundas-feiras pós-final de Copa: um misto de nostalgia, abstinência e vazio existencial pela antevisão da terrível espera de quatro anos – dessa vez, um pouco menos – que se reinicia.
Djavan diz que o quer mesmo é viver para esperar e esperar… É o que farei até meu próximo aniversário.
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*Texto de André Lux, repórter da NSC TV.
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