
O Move SC realizou, na noite desta segunda-feira (2), um painel sobre os avanços e desafios do setor logístico catarinense. O evento, promovido pela NSC, aconteceu no auditório da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), em Chapecó (SC), e contou com a presença de alguns dos principais especialistas do Estado. A apresentação ficou por conta de Letícia Ferrari, apresentadora do Jornal do Almoço Chapecó.
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Para dar início ao painel, Egídio Antônio Martorano, Presidente da Câmara de Transporte e Logística da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), ministrou uma palestra com o tema Desafios da Infraestrutura de Transporte e da Logística Catarinense. O especialista abriu a discussão com o contexto da importância da logística para o Santa Catarina, mas destacou os altos custos de operação. Segundo ele, para cada real faturado pela Indústria de Santa Catarina, R$0,11 centavos são gastos em logística — preço que pode chegar a R$ 0,14 no Oeste do estado.
Atualmente, o rodoviário representa 68% de toda a matriz de transportes em Santa Catarina. Egídio reforçou que o segmento enfrenta desafios — o principal deles é a qualidade das estradas. Além de gerar atrasos e prejuízos no transporte, as vias catarinenses ainda trazem outros problemas, principalmente relacionados à segurança devido ao alto risco. Em 2023, o estado ocupou a segunda posição nacional em quantidade de acidentes.
— Um dos graves problemas logísticos de Santa Catarina é a falta de investimento para a continuidade das obras. O FIESC tem mapeado as 33 obras que estão em andamento no Estado, e 70% delas está com o prazo expirado ou com o andamento comprometido. O principal motivo é a falta de gestão — afirma o especialista.
Ainda de acordo com Egídio, o planejamento é um dos desafios que devem ser enfrentados pela administração pública de Santa Catarina. O Plano Aeroviário também precisa ser uma demanda prioritária, já que pode contribuir para desobstruir as rodovias e garantir o bom andamento da logística no estado.
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— Nós também temos que ter um plano de enfrentamento aos eventos climáticos, a chamada logística resiliente. Entre 2022 a 2024, foram gastos, segundo o DNIT/SC, R$ 437 milhões em manutenção emergencial devido a ocorrência de chuvas nas Rodovias Federais em Santa Catarina. Esse problema tem sido registrado mundialmente, e de forma cada vez mais severa — alerta o profissional.
Egídio destacou, ainda, que a FIESC elaborou uma proposta para a inserção de Santa Catarina no contexto logístico nacional, prevendo soluções para a construção de uma logística equipada para superar eventos adversos.
Necessidade de realizar investimentos
O profissional da FIESC avalia que, para haver uma transformação no cenário da logística de Santa Catarina, cabe ao Poder Público destinar os eventos necessários para finalizar as obras que estão em andamento. Ele mencionou a Participação Privada como uma das soluções, já que as concessões podem contribuir para o ganho de agilidade na revitalização das rodovias estaduais e federais.
— Não adianta colocar milhões nas rodovias sem a preocupação de conservar, restaurar e preservar a pavimentação. O cenário ideal seria que a revitalização das rodovias acontecesse antes mesmo que houvessem buracos nas estradas — orienta.
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Egídio destacou que, segundo o DNIT, Santa Catarina necessita de um orçamento anual de, pelo menos R$ 1 bilhão ao ano para as obras no segmento rodoviário. Em 2024, já foram executados mais de R$ 700 milhões. O presidente destacou que o Estado anunciou 60 obras nas seis regiões do Estado, que fazem parte do Programa Estrada Boa e devem totalizar um valor de R$ 3,9 bilhões em investimentos.
Já sobre os Projetos Ferroviários catarinenses, algumas iniciativas estão em andamento para conectar as cidades com outros estados. O valor total de investimentos previstos chega a R$36,9 milhões. Um dos projetos que estão em andamento é a FerrOeste, que deve conectar Chapecó a Cascavel (PR), Maracaju (MS) e Dourados (MT).
Mesa redonda com especialistas do Estado
Para continuar a conversa, o evento contou, ainda, com uma mesa redonda com a participação do Presidente da Câmara de Transporte e Logística da FIESC, além do Presidente do Sindicato dos Transportes de Santa Catarina (SITRAN/SC), Ivalberto Tozzo, e do Diretor de Logística da Aurora Coop, Ricardo Pinto de Souza. O mediador do debate foi o comentarista e colunista da NSC, Anderson Silva.
Um dos principais assuntos debatidos pelos especialistas foi o alto custo da logística no Oeste Catarinense, que é o maior do país devido a condição das estradas. Segundo Ivalberto, muitas vezes os profissionais de transporte precisam compensar os gastos com manutenções dos caminhões no custo do frete, o que por consequência, aumenta o preço médio dos produtos.
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— No Oeste, tivemos algumas pequenas melhorias entre Chapecó e o trevo do Irani, que deve servir de exemplo para as demais rodovias do estado. — comenta o presidente do Sitran/SC.
Já Ricardo comenta que as situações desfavoráveis impactam os custos logísticos, o que aumenta o preço de operação de diversos segmentos que dependem do transporte rodoviário para as operações. O profissional comentou que o custo do transporte precisa ser mais efetivo para garantir a competitividade dos produtos catarinenses no mercado nacional e mundial. Ele comentou, ainda, sobre a dificuldade de encontrar motoristas capacitados.
— Nós temos no Brasil hoje 4.300 milhões de pessoas aptas a dirigirem caminhões. Mais de 500 mil delas têm mais que 60 anos. A curva só aumenta, uma vez que as novas gerações se preocupam bastante com os riscos de segurança relacionados à profissão — destaca o Diretor de Logística da Aurora Coop.
Mudança de olhares diante das concessões
As Parcerias Político Privadas (PPPs), ou seja, as concessões para a privatização de trechos rodoviários, estão sendo cada vez mais aceitas como alternativas para resolver o déficit no estado. Segundo Tozzo, iniciativas como as registradas em São Paulo, que se tornou o estado líder em qualidade das rodovias ao adotar a privatização, têm mudado a opinião pública sobre o tema.
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Ricardo destacou que as PPPs, através do pagamento de pedágios, têm representado uma alternativa para contornar a defasagem nas rodovias e oferecer maior qualidade de asfalto para a população em Santa Catarina. Ainda, outro ponto que tem sido discutido é a duplicação ou expansão das vias, o que garante mais fluidez no trânsito e reduz o tempo de transporte.
— A indústria de Santa Catarina não cabe mais hoje dentro das condições e da malha logística que temos atualmente — reforça o representante da Aurora Coop.
Já Egídio Antônio Martorano, da FIESC, enfatizou que todos os segmentos econômicos do Estado dependem da logística para sucederem — inclusive, o setor de turismo. A logística impacta, de forma direta, mais de 100 mil pessoas, e indiretamente, a rotina de todos os catarinenses.
É hora de retomar os olhares para o Oeste
O comentarista Anderson Silva, que mediou o debate, destacou a necessidade dos órgãos públicos de voltarem às atenções para o Oeste — uma vez que as rodovias da região contam com diversos percalços para o transporte estadual. Já Ricardo destacou que a indústria sente na pele os impactos da falta de investimentos, e reverter essa situação gerará mudanças significativas na eficiência mercadológica do estado.
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— A indústria de Santa Catarina segue sendo competitiva, mas agora, a mensagem clara é que não há mais muita alternativa para o setor. Precisamos de um plano muito claro do Poder Público, orientado para resultado, que gere empregabilidade e desenvolvimento econômico para o estado — reforça o diretor da Aurora Coop.
O representante do Sitran, Ivalberto Tozzo, comentou que o Oeste de Santa Catarina sempre enfrentou muitas dificuldades, e que mais investimento dos Poderes Públicos poderia impulsionar os resultados econômicos da região. Ele destacou, ainda, que o Sitran atua com ênfase para contribuir com a logística catarinense, em especial, da região Oeste.
Para finalizar a mesa redonda, Edígio comentou que o estado precisa parar de depender do Governo Federal para resolver a demanda logística extensa. Com isso, há a necessidade de mais planejamento dos gestores e da contribuição através de parcerias com o setor privado.
Saiba mais sobre o Move SC:
O Move SC conta com apoio de Portonave, Sitran-SC e Aurora Coop.