Receber a vacina contra a Covid-19 tornou-se o principal desejo para a tão sonhada volta à vida anterior à pandemia do novo coronavírus. Em Santa Catarina, a imunização contra a doença acontece desde o dia 18 de janeiro. Até o momento, mais de 2,5 milhões de catarinenses já receberam a primeira dose.
Continua depois da publicidade
> Receba notícias de Florianópolis e região pelo WhatsApp
Com os relatos de efeitos colaterais, algumas pessoas passaram a escolher qual a marca de vacina gostariam de receber. Os “sommeliers de vacinas”, apelido crítico dado a esses cidadãos, são motivo de preocupação para as autoridades sanitárias, principalmente em um cenário de escassez de doses contra a doença.
> Mitos e verdades sobre os efeitos colaterais da vacina contra Covid-19
Motivos para não escolher a vacina contra a Covid-19
Urgência em imunidade coletiva
A imunização acontece de forma coletiva, ou seja, o intuito da vacinação é atingir o maior número de pessoas imunizadas. Individualmente, as vacinas podem apresentar eficácia diferente, mas, coletivamente, elas têm eficácia elevada ao diminuir a gravidade da doença e, consequentemente, os números de internação e óbito.
Continua depois da publicidade
Quando atingida a imunidade coletiva, o controle da pandemia será mais eficaz. Segundo a médica infectologista da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE-SC), Lígia Gryninger, a taxa de vacinação para conseguir essa imunidade está sendo estudada, alguns especialistas falam em 75% da população, outros em 85%.
> Vacinação da Covid em SC: locais, fases de aplicação, idades e tudo sobre
Enquanto isso, precisamos continuar a seguir criteriosamente as medidas de combate à Covid-19.
— A receita para acabar com o coronavírus existe. É a vacinação, o uso de máscaras, o distanciamento social, sair somente para atividades necessárias e a higienização das mãos. Esse kit é confiável — reforça a infectologista.
Todas previnem casos graves do coronavírus
Todas as quatro vacinas contra a Covid-19 aplicadas atualmente em Santa Catarina – CoronaVac, AstraZeneca, Pfizer e Janssen – são capazes de gerar proteção para a forma grave da doença. Tanto nos ensaios clínicos (quando os cientistas medem a eficácia de um imunizante) quanto na prática (quando a efetividade da vacina é constatada).
— Não tem que escolher a vacina. Você deve tomar porque ela vai ter um objetivo único, seja CoronaVac, AstraZeneca, Pfizer ou Janssen. Todas elas têm como principal objetivo evitar quadros graves da Covid-19 que vão levar você à hospitalização, à UTI e correr risco de vida. Qualquer uma dessas vacinas têm excelentes resultados para evitar isso — explica a médica infectologista da DIVE-SC, Lígia Gryninger.
Continua depois da publicidade
> As diferenças entre as vacinas da Pfizer, Astrazeneca e Coronavac
Não há vacina de uma só marca para todos
Há escassez de vacina contra a Covid-19 no Brasil. Ou seja, não há imunizantes de uma única marca para todos os brasileiros. Por isso a importância de que as pessoas recebam a dose ofertada pelo município, independentemente do fabricante, seguindo o Plano Nacional de Imunização (PNI).
A pesquisadora do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Greicy Malaquias, que faz parte da equipe que está desenvolvendo uma vacina catarinense contra a Covid-19, também reforça essa necessidade.
— A vacina boa é aquela que está disponível no posto de saúde no momento em que você vai se vacinar. Não adianta ficar escolhendo porque todas são seguras, todas são eficazes. E elas nem têm como ser comparadas entre elas. Os estudos realizados foram feitos em períodos diferentes, de maneiras diferentes e com voluntários em situações diferentes.
> Só querem Pfizer: recusa de vacinas em Balneário Camboriú acende alerta

Evitar a circulação do vírus e novas variantes
As variantes são resultado do descontrole da pandemia e da alta circulação de pessoas. Quanto mais infectados, mais o vírus se multiplica, e, assim, mais mutações na identidade genética vão aparecer. A presença da variante delta no Brasil, por exemplo, tem gerado preocupação nas autoridades sanitárias.
Continua depois da publicidade
Para dificultar a cadeia de transmissão do vírus e impedir o surgimento de novas variantes, a saída é a vacinação rápida e coletiva.
— Quanto maior a demora para vacinar, mais o vírus cresce, a transmissão viral cresce. Então a gente vai perdendo a corrida, o vírus correndo e a gente corre numa velocidade bem reduzida atrás do controle dessa transmissão. A velocidade da vacinação neste momento é muito importante — ressalta Gryninger.
*Com supervisão de Brenda Bittencourt
Leia também
Tudo o que se sabe sobre a Janssen, vacina contra a Covid-19
Efeitos colaterais da AstraZeneca; veja os sintomas mais relatados