Há mais de 15 dias a verdureira Grasiele Manerich de Souza, 18 anos, não sabe o que é um banho de verdade quando chega em casa. Moradora da Rua 902C, no Bairro Alto São Bento, em Itapema, ela depende de uma única torneirinha em que a água ainda chega na via para as rápidas duchas. No mesmo local a jovem enche baldes _ quando a pressão é suficiente _ para cozinhar, lavar louças e roupas em casa e limpar as frutas e verduras no comércio. Assim como Grasiele, dezenas de moradores da localidade enfrentam os problemas no abastecimento e sofrem com as condições precárias do serviço.
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_ Esquentamos a água da torneira e tomamos banho sem nem lavar o cabelo. É um absurdo, até na véspera de Natal a gente não tinha água _ conta a verdureira.
Duciana Felisbino, que também mora na Rua 902C, decidiu não recorrer ao balde e prefere tomar banho no trabalho. Mesmo gerando transtorno na rotina da camareira de 32 anos, a opção pelo menos garante mais conforto e comodidade. Para os filhos a alternativa foi diferente. As duchas são tomadas em uma caixa d´água que fica enchendo durante a noite e madrugada. Durante o dia, então, as crianças são liberadas para o banho.
_ Quinta-feira veio um pouquinho de água na torneira, mas sexta já não tinha nada. Em oito anos que vivo em Itapema é a primeira vez que isso acontece _ afirma Duciana.
Segundo a Águas de Itapema, responsável pelo abastecimento na cidade, houve o rompimento de tubulações da rede de distribuição de água durante obras no Bairro Alto São Bento. Os serviços de macrodrenagem são executados por uma empresa terceirizada pela prefeitura do município, a Sulcatarinense (com sede em Biguaçu). Os incidentes provocaram interrupções no abastecimento e quedas na pressão do fornecimento de água.
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A Águas de Itapema observa ainda que o baixo volume de chuva dos últimos dias no Litoral catarinense contribui para as dificuldades no tratamento. Devido à estiagem o manancial que atende o bairro teve a vazão diminuída, gerando problemas nas áreas mais altas ao longo do dia.
A reportagem do Sol Diário entrou em contato com a Sulcatarinense para falar sobre as obras de macrodrenagem, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.
_ Não temos uma gota de água há cinco dias. E todo ano é a mesma coisa _ lamenta Maria Juraci. Ciente da situação no município, a Secretaria de Saneamento Básico orienta que os moradores usem racionalmente a água para que não falte nas próximas semanas. O órgão atribui as dificuldades no abastecimento ao início de temporada atípico, com consumo bem acima do normal comparado a outros anos e o calor intenso que tem feito na região.
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_ O maior problema ocorre em casas que não contam com uma reservação significativa. Acredito que o serviço será normalizado depois de 1º de janeiro, quando boa parte dos turistas deixa Navegantes _ avalia a secretária de Saneamento, Sandra Demetrio Santiago.
_ Essa diferença de nove litros causa um grande prejuízo ao fornecimento em Bombinhas. Já ingressamos com uma ação judicial para que o contrato seja cumprido _ informa o diretor de Operação e Meio Ambiente da Companhia, Valter Gallina.