O ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, esteve nesta semana com a trabalhadora que foi resgatada em condições análogas à escravidão na residência do desembargador catarinense Jorge Borba, em Florianópolis. A mulher tem “dificuldades de comunicação básica”, conforme o Ministério Público do Trabalho, mas tem apresentado boa capacidade de expressão quando exposta a estímulos visuais. Ela foi encontrada na residência do desembargador em junho e, desde então, está acolhida em um abrigo da Capital.
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Com agenda em Florianópolis, o ministro inteirou-se dos processos de inclusão social, comunitária e educacional aos quais a mulher resgatada tem se integrado. Na ocasião, a presidente da Associação de Surdos da Grande Florianópolis, Sandra Lúcia Amorim, relatou que a trabalhadora tem participado ativamente de diversas aulas, incluindo dança, ginástica e Libras. Além disso, foi destacado também que ela demonstrou ter boa memória e desenvolveu vínculos positivos com os colegas.
O processo de reabilitação dela está concentrado, conforme a associação, no ensino de sinais de cumprimentos, para auxiliá-la a se comunicar de forma mais afetiva e, assim, desenvolver maior autonomia e interação social, já que, de acordo com Sandra, ela ainda não possui conhecimento de comunicação básica e não consegue se autonomear ou nomear outras pessoas do vínculo diário.
— O principal foco na continuidade do processo educativo é iniciar o ensino dos sinais, pois ela tem dificuldades de comunicação básica como pedir para ir ao banheiro ou sinalizar que está com fome — informou.
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Relembre o caso
Uma operação da Polícia Federal contra o desembargador para apurar a suspeita de que ele mantinha a empregada em condição de escravidão foi deflagrada em maio. Na ocasião, foi identificado que uma das empregadas, uma pessoa surda e muda, trabalhava sem registro de carteira assinada e não recebia salário ou qualquer vantagem trabalhista há ao menos 20 anos.
Conforme o Ministério Público do Trabalho, a investigação apontava também que ela era vítima de maus-tratos e nunca teve instrução formal, além de não possuir convívio social resguardado.
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