As acusações de abuso sexual contra o autor britânico Neil Gaiman, de 64 anos, expostas em uma reportagem da revista Vulture nessa segunda-feira (13), vem ganhando repercussão por conta dos detalhes perturbadores revelados pelas mulheres que alegam ter sido vítimas do homem. O autor de Coraline (2002) e Stardust (1997) é acusado de comportamento coercitivo, assédio e agressões sexuais, em contextos que normalmente envolvem uma aparente exploração de poder e de vulnerabilidade. As informações são do O Globo.

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Mensagens de texto, passagens de diário e depoimentos são alguns dos recursos utilizados pela reportagem para mostrar Gaiman fazendo uso da posição de prestígio para manipular e explorar sexualmente fãs e pessoas que trabalhavam com ele ou para ele.

Quem é Neil Gaiman, autor acusado de abusos sexuais?

Em grande parte dos casos, segundo os relatos, as relações sexuais envolveram práticas não consensuais de dominação sexual. Algumas mulheres dizem que o autor chegou até a fazer BDSM — práticas sexuais caracterizadas pela submissão, dominação e sadomasoquismo — sem o consentimento delas.

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Relatos perturbadores

É o caso de Kendra Stout, na época com 18 anos. Ela relata que conheceu o autor em 2003, e relembra experiências sexuais dolorosas e não consensuais. De acordo com a mulher, ele insistia em práticas dominadoras que causavam desconforto físico, teria exigido que ela o chamasse de “mestre” e a agredido com um cinto durante os encontros. Stout alega, ainda, que nunca teve interesse em BDSM antes do relacionamento dos dois e afirma que desenvolveu infecção urinária por conta das relações.

Scarlett Pavlovich também é uma das supostas vítimas. Ela trabalhou como babá do filho de cinco anos de Gaiman e da ex-esposa, Amanda Palmer. Ela tinha 22 anos na época dos abusos, e prestou queixa em 2023.

A primeira violência aconteceu assim que ela conheceu o autor, segundo a jovem. Na ocasião, ela esperava a criança terminar de brincar quando o autor a ofereceu um banho em uma banheira da residência. Ela aceitou e diz que, sem avisar, ele se juntou à ela no local, completamente nu, e cometeu o abuso.

Em outra ocasião, Gaiman teria batido na mulher com o cinto e tentado iniciar sexo anal sem lubrificação.

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“Depois que ela disse ‘não’, Gaiman recuou brevemente e foi para a cozinha. Quando ele voltou, trouxe manteiga para usar como lubrificante. Ela continuou a gritar até que Gaiman terminasse. Quando acabou, ele a chamou de ‘escrava’ e ordenou que ela o ‘limpasse'”, descreve a repórter Lila Shapiro na matéria “There Is No Safe Word”, da revista Vulture.

Quando a mulher tentou protestar contra o escritor, ele perguntou se ela estaria “desafiando o seu mestre”. Em seguida, ele a fez “lamber as próprias fezes”, segundo ela.

Os abusos relatados pelas mulheres teriam sido cometidos por Gaiman ao longo dos 40 anos do autor. Na época, ele morava entre os Estados Unidos, o Reino Unido e a Nova Zelândia. De acordo com as vítimas, a ex-mulher dele, Amanda Palmer, estava presente durante alguns dos episódios de abuso.

Após Gaiman supostamente engravidar uma fã, Amanda aceitou fazer terapia de casal, aponta a reportagem.

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A defesa não nega as relações sexuais, apenas diz que elas foram consensuais. A reportagem critica, além de Gaiman, a resposta das empresas. Projetos que têm relação com as obras de Gaiman permanecem sendo desenvolvidas, como a segunda temporada de “The Sandman”, na Netflix.

*Sob supervisão de Andréa da Luz

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