Um jogo cuja proposta é montar blocos pode se tornar uma ferramenta para alunos aprenderem sobre preservação das terras indígenas. Apresentado pela primeira vez ao público nesta quarta-feira (10), durante a Bett Brasil, o projeto “A Terra Não Minerável” busca ensinar sobre o tema por meio de um mapa inédito no Minecraft, o jogo mais vendido do mundo.
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A exploração ilegal de terras indígenas acelerou no Brasil. O aumento foi de 787% entre 2016 e 2022, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe). Nos últimos 36 anos, o crescimento foi de 1271%. Uma atividade que desmata, contamina o solo e a água, bem como coloca em risco a sobrevivência dos povos originários.
— O jogo que é conhecido por ser minerável não pode ser minerável, mesmo dentro de um ambiente digital. Este é o poder do lúdico. Dentro de uma brincadeira, uma metáfora, dentro de um ambiente 3D, nem lá dentro pode minerar — explica Francisco Tupy, professor sobre aplicação de videogames na educação pela ECA-USP e um dos consultores do projeto.

Segundo os criadores do mapa, esta é uma forma de mostrar às crianças que o mundo vai muito além do círculo social em que elas estão inseridas. O objetivo é fazer com que a próxima geração ajude a combater este problema.
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— Nós entendemos a importância de um projeto que une pedagogia e tecnologia para conscientizar também sobre a importância da preservação da cultura dos povos tradicionais da Amazônia — Juliana Diniz, médica e coordenadora do projeto.
A ideia da equipe é expandir a iniciativa para outros nichos da sociedade no próximo ano.
Todas as escolas, públicas ou privadas, podem ter acesso ao jogo. A recomendação é usá-lo a partir do quarto ano do ensino fundamental. O material pode ser solicitado no site: https://terranaomineravel.com/
Gamificação da educação
Segundo Tupy, a ferramenta também mostra que os games, ainda vistos como vilões, podem ser aliados do ensino.
— A palavra gamificação tem que ser compreendida como motivação. É uma forma de você ver o conteúdo de maneira lúdica, com brincadeira. O jogo fascina pelo fato de ser jogo. Ele torna o ato de aprender divertido e interativo.
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