Santa Catarina descartou 168.392 doses de vacinas em 2024, o que representa um desperdício de R$ 4.494.361,01. Os principais motivos para as perdas, informados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), são a quebra de frascos e a validade vencida. As informações são exclusivas do NSC Notícias, obtidas via Lei de Acesso a Informação.

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No ano passado, Santa Catarina liderou o ranking da Confederação Nacional dos Municípios como o Estado que mais teve falta de vacinas no Brasil. Cerca de 87% dos municípios catarinenses relataram a falta de imunizantes nos centros de saúde.

Caso das 160 mil vacinas descartadas em SC é escândalo que não pode ficar impune

Para o diretor da Vigilância Epidemiológica do Estado, João Augusto Fuck, as doses são descartadas pelo prazo de validade antes mesmo de serem entregues aos municípios por conta da falta de procura da população pelas vacinas. A maioria das doses perdidas é contra a Influenza e a Covid-19.

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— Se nós lembrarmos da Influenza, nos últimos dois anos tivemos uma adesão muito baixa na campanha de vacinação. As pessoas acabam não procurando. Nós mantemos um estoque estratégico para atender o público alvo da campanha, mas as pessoas não procuram — pontua.

Covid-19

Só da Covid-19, foram 11.850 doses desperdiçadas. O diretor da Vigilância Sanitária explica que, em relação a esse tipo específico de vacina, as perdas acontecem porque as doses são separadas por faixa etária do público-alvo de vacinação e, muitas vezes, acabam não atendendo quem mais está precisando no momento.

— Mantemos proporcional aos municípios, temos o cuidados de mandar para quem precisa mais, olhando para a população para mandar o quantitativo necessário. Mas ao longo de 2024 houve desabastecimentos pontuais ao longo do ano. Em determinados momentos, o Ministério da Saúde mandou só para adultos, em outros apenas para crianças, e isso pode acarretar em faltas na ponta — diz.

Outros tipos de doenças também tiveram as vacinas descartadas, como a da Tríplice DTP, que previne a difteria, o tétano e a coqueluche, e contra a Hepatite B, que custa R$ 2.787,21 por dose. Essa última, por exemplo, foram 2.442 doses perdidas por conta de vencimento — um prejuízo de R$ 1.645,849,74.

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Falta de estímulo e de informação

A epidemiologista Alexandra Boing explica que a população catarinense precisa ter mais informações básicas e claras sobre a vacinação, como onde as doses estão disponíveis, quando podem se vacinar e como podem ter acesso aos imunizantes.

— São várias questões que podem trazer barreiras de acesso para essa população não estar se vacinando — diz.

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